Embora a data oficial do fim da campanha para as eleições do próximo domingo seja amanhã, terça-feira, os candidatos continuam hoje com os atos de encerramento da corrida eleitoral que começaram neste fim de semana.
O candidato do Partido Nacional, de oposição, Porfirio Lobo, conclui hoje sua campanha em um estádio de beisebol de Tegucigalpa, enquanto o governista Elvin Santos, do Partido Liberal, despede-se de seus eleitores nesta segunda-feira no departamento de Olancho (leste do país).
Os candidatos Felicito Ávila, da Democracia Cristã, e Bernard Martínez, do Partido Inovação e Unidade Social-Democrata (PINU-SD), também finalizaram ontem sua campanha em Tegucigalpa.
Lobo e Santos, os candidatos com maior possibilidades de vitória, por serem os representantes dos partidos majoritários, concluíram ontem e no sábado, respectivamente, seus atos de campanha em San Pedro Sula (norte), a segunda cidade em importância de Honduras.
A Unificação Democrática (UD), cujo candidato é César Ham, não anunciou quando terminará sua campanha. Ele apenas confirmou sua participação no pleito no último sábado, após ameaçar por vários meses que não iria fazê-lo em apoio a Zelaya, expulso do país por militares em 28 de junho, quando o Parlamento o substituiu por Roberto Micheletti.
Cerca de 4,5 milhões de hondurenhos estão inscritos para votar no próximo domingo para escolher o novo presidente, além de deputados e prefeitos, para o período 2010-2014, que começará em 27 de janeiro.
Mas a maior parte da comunidade internacional, que não reconhece o governo de fato de Micheletti, advertiu que enquanto Zelaya não voltar à presidência, não aprovará os resultados destas eleições, que contam com o respaldo dos Estados Unidos.
“Após uma dura luta e uma disputa contra tudo e contra todos, estamos prontos a exercer o sufrágio”, disse hoje Micheletti em mensagem durante uma missa celebrada por ocasião do pleito no santuário de Nossa Senhora de Suyapa, padroeira de Honduras.
O presidente de fato reiterou, ainda, seu desejo de que “nenhuma gota de sangue seja derramada por causa deste processo”, e pediu aos candidatos que, caso vençam, “jamais tentem se colocar sobre a lei de Deus e a lei do homem”.
Já o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, pediu hoje à Organização dos Estados Americanos (OEA), às Nações Unidas e à União Europeia (UE), além dos presidentes dos países americanos para que não reconheçam as eleições marcadas para o dia 29 de novembro em seu país.
“Nestes momentos tão difíceis aos irmãos países das Américas, pedimos sua solidariedade para com Honduras. Que nos acompanhem com base nos fatos pelos senhores conhecidos, revalidando a posição de não apoiar a tentativa unilateral de dar validade a um acordo rescindido em tempo e forma pelas violações consumadas pela ditadura”, diz Zelaya em carta distribuída hoje à imprensa.
“Essas eleições terão que ser canceladas e remarcadas, respeitando a vontade do soberano”, acrescenta o presidente deposto, que está na embaixada do Brasil em Honduras desde o dia 21 de setembro, após voltar clandestinamente a Honduras.
Em Washington, o secretário de Estado adjunto dos EUA para o Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela, afirmou hoje que a decisão de Micheletti de deixar temporariamente o poder deverá facilitar a formação do Governo de união nacional em Honduras.
Comissões de Micheletti e Zelaya assinaram um acordo em 30 de outubro a fim de resolver a crise política, mas o governante deposto o deu por encerrado por divergências sobre a integração do Governo de unidade.
Zelaya exige sua restituição ao poder, o que não será possível, pelo menos antes do dia 2 de dezembro, data em que o parlamento de seu país tomará uma decisão a respeito.