LEONARDO VOLPATO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Em meio a uma crise energética que assola Cuba e sob as ameaças constantes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tomar a ilha, o influenciador Sandro Castro, 33, faz piadas com a situação.
Sandro é neto de Fidel (1926-2016), líder da Revolução Cubana que permaneceu no poder por 49 anos, até renunciar em 2008.
Em recente entrevista à CNN, Sandro falou sobre sua rotina e mais da situação econômica do país. O contraste é grande. Enquanto a ilha passa por constantes apagões, ele apareceu na entrevista de óculos escuros de grife num moderno apartamento de solteiro com um gerador. Ele se diz incompreendido.
“Estou fazendo vídeos sobre uma situação tensa e triste. Pelo menos estou tentando fazer as pessoas felizes. Para arrancar um sorriso delas. Eu jamais zombaria de uma situação que também enfrento”, disse.
Num vídeo recente, Castro, que conta com mais de 150 mil seguidores, faz piada sobre o fato de Trump querer comprar Cuba. Além disso, ele também por vezes provoca o governo comunista da ilha.
Seus vídeos costumam irritar alguns e alegrar outros. O influenciador já se vestiu de monge, de vampiro, usou maquiagem de gatinho e usa de ironias e sarcasmos nos esquetes.
No meio de uma crise econômica, ele afirma não ser “rico como Dubai” e diz que nem sequer tem gasolina para abastecer o carro, mas aparenta ter uma vida confortável. “O pouco que tenho é fruto do meu esforço, do meu sacrifício”, afirmou.
Especialistas ouvidos pela publicação apontam que Castro usa desse estilo de vida de forma proposital, já que “indignação gera curtidas e seguidores”.
O influenciador também é empresário e possui uma boate em uma das principais avenidas de Havana. Em 2024, causou polêmica ao comemorar aniversário no bar próprio num momento em que Cuba se recuperava de um grande apagão no dia anterior.
Em 2021, já havia polemizado ao aparecer num vídeo vazado dirigindo uma luxuosa Mercedes-Benz. “Somos simples, mas de vez em quando precisamos tirar aqueles brinquedinhos que temos em casa”, dizia o vídeo que rapidamente viralizou, o que indignou a população.
MAIS SOBRE A CRISE EM CUBA
Nas últimas semanas, depois da invasão dos EUA na Venezuela, que enviava petróleo para as usinas termelétricas de Cuba, a situação se agravou exponencialmente.
O que era uma crise energética hoje é um colapso da rede elétrica nacional, com apagões diários que chegam a 20 horas. Cuba opera com cerca de 40% do combustível necessário, o que tem provocado a interrupção de aulas, atendimento hospitalar, transporte, coleta de lixo e acesso à água, comprometendo o funcionamento básico do país.
O governo Trump também endureceu o embargo que restringe transações financeiras, acesso a crédito internacional e comércio com empresas que tenham vínculos com o mercado norte-americano.
Há também problemas estruturais internos na ilha, como a baixa produtividade e a dualidade monetária que, mesmo encerrada em 2021, ainda tem efeitos inflacionários.