A presidente do Brasil, Dilma Roussef, ressaltou, nesta quinta-feira (22), em um fórum da ONU, que a ameaça dos desastres nucleares, como o recente de Fukushima (Japão), não deve afetar a confiança internacional sobre os benefícios do uso pacífico da energia, mas advertiu contra o uso de armas.
A reunião sobre segurança nuclear aconteceu na sede da ONU em Nova York, paralelamente aos debates da Assembleia Geral, que reúne líderes de 193 países para debater sobre a atualidade internacional. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ressaltou que Governos e agências do mundo todo , como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), devem cooperar mais.
“É necessário prestarmos atenção na ligação entre segurança e proteção para assegurar que um ataque deliberado contra instalações ou armas nucleares não tenha consequências catastróficas”, afirmou Ban em comunicado da ONU.
Dilma advertiu sobre as reservas de material nuclear que as potências possuem para uso militar e não estão submetidas ao controle da AIEA. Nesse sentido, ela considerou fundamental que se estabeleçam prazos para a eliminação completa das armas nucleares e que a ONU revise as condições de conservação e deterioração em que se encontram.
“Temos que avançar na reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que tem sido baluarte da lógica do privilégio nuclear durante mais de 65 anos e legitimo o acúmulo de material nuclear pelas potências armadas”, declarou Dilma.
Por sua vez, o diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, enviou uma mensagem de Viena na qual ressaltou que apesar da gravidade do acidente de março em Fukushima, o uso desse tipo de energia continuará crescendo significativamente nas próximas décadas, porque aumentará a demanda.
“Alguns poucos países decidiram reduzir seus programas nucleares ou terminá-los, enquanto muitos outros estão executando planos ambiciosos de expansão”, afirmou Amano. O diretor disse também que a segurança nuclear é responsabilidade de cada nação, embora a AIEA desempenhe um papel central.
A reunião aconteceu no mesmo dia em que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, cujo programa nuclear preocupa a comunidade internacional, realizará seu discurso nas Nações Unidas.
A Assembleia Geral da AIEA aprovou nesta quinta-feira em Viena um plano de ação para melhorar a segurança nuclear no mundo após o acidente de março na usina nuclear japonesa de Fukushima. Este programa reforçará a supervisão de 440 usinas nucleares no mundo, embora não contenha medidas de cumprimento obrigatório, como reivindicavam alguns Estados.