Washington, 8 – O Senado dos EUA aprovou ontem uma resolução que limitaria a capacidade de Donald Trump de realizar novos ataques contra a Venezuela, demonstrando desaprovação às suas ambições crescentes. Democratas e cinco republicanos votaram a favor do avanço da resolução sobre os poderes de guerra por 52 votos a 47. Uma nova será feita na próxima semana para a aprovação final.
A resolução tem praticamente nenhuma chance de se tornar lei, uma vez que Trump teria de assiná-la caso fosse aprovada pela Câmara, controlada pelos republicanos. Ainda assim, foi um gesto significativo que demonstrou o desconforto entre alguns republicanos após a prisão de Nicolás Maduro pelas forças americanas em uma operação no sábado.
O governo Trump agora busca controlar os recursos petrolíferos e o governo da Venezuela, mas a resolução sobre poderes de guerra exigiria a aprovação do Congresso para quaisquer ataques futuros à Venezuela.
“Para mim, tudo isso se resume a seguir em frente”, disse o senador de Missouri, Josh Hawley, um dos cinco votos republicanos. “Se o presidente decidir: ‘Sabe de uma coisa? Preciso enviar tropas para a Venezuela’, acho que isso exigiria a intervenção do Congresso.”
NO ESCURO
Os outros republicanos que apoiaram a resolução foram os senadores Rand Paul, Lisa Murkowski, Susan Collins e Todd Young. Trump reagiu dizendo nas redes sociais que eles “nunca deveriam ser eleitos para cargos públicos novamente”.
Líderes republicanos afirmaram que não foram avisados com antecedência da operação realizada na madrugada de sábado, mas, em sua maioria, expressaram satisfação esta semana, após altos funcionários do governo fornecerem informações confidenciais sobre ela.
O governo tem usado um conjunto de justificativas legais para a campanha de meses nas Américas Central e do Sul, desde a destruição de supostos barcos de narcotráfico sob autorizações para o combate global ao terrorismo até a prisão de Maduro com uma operação policial para levá-lo a julgamento nos EUA.
O Congresso dos EUA foi mais uma vez mantido no escuro, com Trump confirmando posteriormente que conversou com executivos do setor petrolífero, mas não com líderes do Capitólio.
Estadão Conteúdo