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Mundo

Eleições sangrentas

Arquivo Geral

06/06/2009 0h00

A violência deu o tom à campanha eleitoral em Guiné-Bissau ontem com os assassinatos do candidato presidencial Baciro Dabó, more about do ex-ministro da Defesa Hélder Proença e do ex-primeiro-ministro Faustino Fudut Imbali, todos acusados pelo governo local de estar envolvidos em uma tentativa de golpe. Dabó, um dos candidatos independentes nas eleições do próximo dia 28, foi assassinado por “homens armados não identificados”, que invadiram sua casa em Bissau, capital do país, nas primeiras horas de ontem e o mataram com vários tiros, segundo a rádio pública guineense.


Segundo emissoras privadas de rádio de Guiné-Bissau captadas também em Dacar, os assassinos de Dabó vestiam uniforme. Poucas horas depois do assassinato do candidato à presidência, as forças de segurança governamentais mataram Proença no norte do país, acusado de tentar dar um golpe de Estado, segundo um comunicado do Ministério do Interior.
Segundo a nota oficial, as forças de segurança estabeleceram um vínculo entre o assassinato de Dabó e a morte de Proença, apresentados como envolvidos em uma suposta tentativa golpista. A terceira personalidade política morta ontem a tiros em Guiné-Bissau foi o ex-primeiro-ministro guineense Faustino Fudut Imbali, também acusado pelo Ministério do Interior de ser membro de uma conspiração para depor o atual governo do país.


A morte de Imbali foi confirmada por fontes do hospital de Bissau, para onde foram levados os corpos dos três políticos assassinados. Segundo o comunicado do Ministério do Interior, Imbali, Dabó e Proença, junto com alguns militares, pretendiam dissolver o Parlamento e depor o governo dirigido pelo primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Júnior, atualmente em Portugal com problemas de saúde.

Do governo
Dabó foi ministro de Administração Territorial do governo liderado por Gomes Júnior, do qual renunciou para concorrer nas eleições. Também era considerado muito próximo politicamente ao ex-presidente guineense João Bernardo Vieira, assassinado pelos militares em março deste ano.
Membro dirigente do ex-governante Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Dabó se apresentava nas eleições como candidato independente e, segundo analistas locais, tinha poucas possibilidades de ser eleito. Malam Bacai Sanhá, ex-presidente interino, candidato do PAIGC, e o ex-presidente Kumba Ialá, líder do Partido da Renovação Social (PRS), são considerados como os favoritos para o pleito do dia 28.

Ambos se enfrentaram no ano 2000 em um segundo turno vencido por Ialá, cujo mandato foi interrompido por um golpe de Estado militar em 2003. Os observadores políticos questionam a atitude dos militares frente ao pleito, embora o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas guineense, capitão-de-fragata Zamora Induta, tenha garantido que observam total neutralidade entre os diferentes candidatos. As eleições presidenciais foram convocadas após os assassinatos de Vieira e do chefe das Forças Amadas, Tagme Na Wai, morto também em março.

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