O apoio global obtido pelo Movimento ao Socialismo (MAS) ainda não pode ser quantificado, mas já é possível saber que o partido do presidente da Bolívia, Evo Morales, ganhou espaço em governos regionais e nas prefeituras. Contudo, não conseguiu vencer as eleições de ontem (4) nos importantes estados de Santa Cruz, Beni e Tarija, tradicionais redutos da oposição.
O resultado das eleições de ontem (4), segundo analistas políticos citados pela Agência Boliviana de Informações (ABI), mostra que os 5 milhões de bolivianos que votaram no domingo montaram um quadro no qual se observa, até o momento, o equilíbrio na divisão do poder.
Os analistas dizem que a eleição mostra, principalmente quando se observam os resultados municipais, que haverá necessidade de alianças para evitar “o fantasma da ingovernabilidade”. Até mesmo porque onde o governo ganhou representatividade, a oposição também conquistou importantes espaços nos legislativos locais – e vice-versa.
A importante prefeitura de La Paz, por exemplo, é ocupada pelo partido oposicionista Movimento Sem Medo (MSM) desde 2000. O prefeito Luis Revilla acaba de ser reeleito, enquanto o governo de La Paz será ocupado por Oscar Cocarico, do governista MAS. Cocarico é o primeiro indígena a chegar ao cargo.
Segundo os analistas políticos bolivianos, os resultados das eleições parecem não contestar as políticas estatais de Evo Morales, que apontam para a industrialização do país mais pobre da América do Sul.
Apesar do grande número de eleitores habilitados a votar no domingo – 5 milhões – há indícios de que a abstenção pode ter chegado a 15%. Isso, dizem os analistas, deixa evidencia que a população está cansada de tantas eleições.
A eleição de ontem foi a sexta consulta popular consecutiva desde dezembro de 2005. Os resultados oficiais das históricas eleições na Bolívia – as primeiras em que a população teve o direito de escolher os governadores – somente serão conhecidos dentro de 15 dias.