O egípcio Mohamed ElBaradei se despediu hoje, depois de 12 anos, do posto de diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Embora vá ficar no cargo até o fim de novembro, quando será substituído pelo japonês Yukiya Amano, o diplomata aproveitou a abertura da Conferência Geral da AEIA para se despedir de todos os Estados-membros.
Ao passar em revista os 12 anos como diretor-geral, ElBaradei voltou a lamentar o fato de que, “apesar de a AIEA e a ONU terem divulgado informações imparciais e fáticas que indicavam a ausência de armas de destruição em massa no Iraque, uma guerra foi lançada contra esse país”.
Segundo o diretor da AIEA, o conflito iraquiano, que “possivelmente custou a vida a centenas de milhares de civis inocentes”, começou dois meses depois de ele mesmo ter dito que não existiam provas de que o Iraque havia reativado seu programa nucelar.
“Como um valioso investimento na paz, pedi cerca de dois meses a mais para completarmos nosso trabalho de verificação”, disse o egípcio, cujo pedido acabou “ignorado”.
“Lições importantes têm de ser aprendidas com o Iraque e a Coreia do Norte”, afirmou ElBaradei. “A primeira é que temos de deixar a diplomacia e a fiscalização exaustiva seguirem seu curso, sem importar o quão longo e pesado seja o processo”.
Sobre o programa iraniano, cujo caráter – civil ou militar – segue sem estar claro, o diplomata disse que só mediante o diálogo será possível solucionar o problema.
Segundo ElBaradei, o caso do Irã foi aberto há seis anos e ainda há”várias questões” pendentes e “acusações que lançam dúvidas sobre a natureza pacífica” das aspiração nucleares do país.
Essas dúvidas, destacou, só poderão ser resolvidas com a colaboração iraniana e a “criação de uma relação confiança” por meio do diálogo.