O ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o egípcio Mohamed ElBaradei, qualificou de “ilegítima” a atual Constituição de seu país e disse que está disposto a organizar ações pacíficas para mudá-la antes das eleições presidenciais de 2011.
“A atual Constituição egípcia precisa de legitimidade, porque priva a maioria do povo do direito de participar das eleições presidenciais”, disse o vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2005, em entrevista publicada hoje pelo jornal egípcio “Al-Masry al-Youm”.
Depois que ElBaradei deixou a direção da AIEA, no último dia 30 de novembro, várias figuras da oposição egípcia insistem para que ele apresente sua candidatura nas eleições presidenciais. Em resposta, a imprensa estatal e governista lançou uma campanha de desprestígio contra ele, acusando-o de ser um “agente americano”.
Na semana passada, ElBaradei anunciou que estaria disposto a se candidatar, sob algumas condições.
“Sou uma pessoa independente, por isso, se decidisse participar da corrida presidencial, faria isso de forma independente”, disse.
Com os atuais requisitos exigidos na Constituição egípcia, ElBaredei não poderia apresentar candidatura, já que só os partidos políticos podem fazer isso.
Na entrevista publicada hoje e realizada em Viena, onde fica a sede da AIEA, ElBaradei afirmou que “as mudanças devem acontecer através do desejo coletivo”.
“Se o povo conseguir mudar a Constituição, eu estarei com ele”, disse.
Pelas leis atuais, o candidato deve completar um ano ocupando uma vaga na direção de um partido político para poder apresentar sua candidatura.
Além disso, deve contar com o apoio de pelo menos 250 deputados das duas Câmaras do Parlamento, assim como dos conselhos locais, quase totalmente controlados pelo Partido Nacional Democrático, do atual Governo.