Começou nesta quarta-feira (2) oficialmente no Egito a campanha eleitoral para eleger os membros do Parlamento que irá fazer a nova Constituição do país, dando início à corrida para a primeira eleição livre após o regime de Hosni Mubarak.
O juiz da Comissão Suprema Eleitoral Yusri Abdelkarim disse à agência Efe que 59 partidos e coalizões políticas se apresentaram para concorrer nas eleições. Um marco num país governado durante décadas pelo extinto Partido Nacional Democrático, do ex-presidente Hosni Mubarak.
Abdelkarim acrescentou que os preparativos para a votação que escolherá os 498 congressistas da Assembleia do Povo (câmara baixa) e os 270 da Shura (câmara alta) transcorrem sem problemas.
O número de candidatos para a Assembleia do Povo é de 7.181, sendo que 6.591 deles concorrem a um terço dos assentos da câmara, reservados aos independentes, e os outros 590 brigam pelo restante das vagas. Na Shura, 2.308 candidatos são independentes e 272 ligados a algum partido.
Apesar do clima de expectativa pelas primeiras eleições livres na história do Egito, a forma como a junta militar que governa o país está conduzindo o processo é alvo de críticas.
Um integrante do Partido dos Egípcios Livres, Walid Daudi, queixou-se em declarações à Efe que “as condições não são ideais para uma eleição”.
“Criar um partido político em seis meses é uma barbaridade. Além disso, nos impuseram um calendário que não queríamos, todos pedíamos primeiro a elaboração de uma Constituição, depois as eleições”, afirmou Daudi.
O político acrescenta que ainda existem questões técnicas confusas, como a questão da proibição da campanha eleitoral dois dias antes do pleito, já que a votação ocorrerá em horários distintos nas províncias do país.
De qualquer forma, o Bloco Egípcio, coalizão laica liberal da qual o partido de Daudi faz parte, terá o desafio de enfrentar a Irmandade Muçulmana, que por meio do Partido Liberdade e Justiça, que compõem a Aliança Democrática do Egito, são os favoritos nas eleições. As outras duas grandes coalizões são a salafista e o esquerdista Bloco da Revolução Permanente.
A propaganda religiosa está proibida durante a campanha eleitoral. O Partido Liberdade e Justiça afirmou que não é religioso, mas apoia um estado civil com características islâmicas.
Criados em 1928 e colocados na ilegalidade em 1954, a Irmandade conta com a vantagem de já ser conhecida no Egito, onde surgiram recentemente um grande número de partidos.
De tendências religiosas ou laicas, novos ou velhos, os ganhadores da votação terão que formar um Parlamento encarregado de nomear um comitê de 100 especialistas, que irão redigir uma nova Constituição, que será submetida a plebiscito antes da realização das eleições presidenciais.