Egito decidiu adiar de forma indefinida o prazo para que as facções palestinas assinem um acordo de reconciliação, proposto por mediadores egípcios, informou hoje a agência estatal de notícias “Mena”.
Segundo um responsável egípcio de alto nível, não identificado e citado por “Mena”, o atraso se deve às diferenças entre Hamas e a Autoridade Nacional Palestina (ANP) sobre o Relatório Goldstone.
Também é resultado do compromisso do Egito para acabar com a situação de divisão entre os palestinos que requer “vontade política, boas intenções e de um ambiente propício”.
Além disso, a fonte lembrou que o prazo para a assinatura terminava na quinta-feira e acrescentou que o Egito continuará com seus esforços para acabar com a situação desencadeada pelo Relatório Goldstone para que se assine o acordo o antes possível.
Enquanto o grupo nacionalista Fatah assinou a proposta egípcia há dois dias e mandou ontem uma delegação ao Cairo para entregar o documento assinado, a facção rival, Hamas, tinha pedido dois ou três dias mais para anunciar sua decisão final, segundo informaram hoje os diários árabes “Al-Ahram” e Al-Hayat.
Hamas e outras sete facções palestinas em Damasco solicitaram ontem introduzir mudanças para assinar a atual proposta egípcia, como a incorporação de referências à luta contra Israel e sua “agressão” contra o povo palestino e o direito de retorno dos refugiados, entre outros.
No domingo passado, o líder máximo do Hamas, Khaled Meshaal, já avisou que, apesar dos avanços conseguidos com a mediação egípcia, seu grupo não estava disposto a assinar nenhum acordo por enquanto, após a polêmica pelo Relatório Goldstone, embora dissesse que seguiam buscando a data e mecanismos adequados para alcançá-la.
A controvérsia se desencadeou por causa das acusações do Hamas à Autoridade Nacional Palestina (ANP) de haver pressionado para atrasar o debate sobre esse documento no Conselho de Direitos Humanos da ONU.
No entanto, dada a pressão interna sofrida pelo Governo de Ramala, o Conselho convocou uma sessão especial, realizada entre ontem e hoje, na qual se votará uma resolução sobre o documento.
O relatório, elaborado por uma comissão da ONU, liderada pelo jurista sul-africano Richard Goldstone, acusa ao Exército de Israel e ao Hamas de cometerem crimes de guerra na ofensiva israelense contra Gaza de dezembro e janeiro passados.
A disputa entre palestino se aguçou há dois anos quando o Hamas expulsou da Faixa de Gaza as forças leais ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, dirigente do Fatah.