Menu
Mundo

Egípcios se irritam com rumos da transição

Arquivo Geral

09/09/2011 15h26

A praça Tahrir voltou a se transformar, nesta sexta-feira (9), no centro do descontentamento no Egito, desta vez com milhares de pessoas insatisfeitas pelo rumo que a transição no país está tomando e o papel desempenhado pelas Forças Armadas. “Para onde foi a revolução?” e “Marechal, onde está a mudança?” foram algumas das palavras de ordem escutadas. Conforme terminava a oração e diminuía o calor, as pessoas se reuniam cada vez mais.


Movimentos de jovens ativistas e partidos ligados a correntes liberais, laicas, nacionalistas e de esquerda organizaram a grande manifestação, que não contou, no entanto, com a participação da Irmandade Muçulmana nem dos salafistas.

Com um adesivo amarelo para exigir o fim dos julgamentos militares a civis, uma das principais reivindicações do protesto, o jovem Hosam Mustafa manifestou seu temor de que a revolução iniciada em 25 de janeiro acabe significando um retrocesso.

“Em sete meses não vimos nenhuma mudança. Queremos um julgamento justo para o ex-presidente Hosni Mubarak e que os civis não sejam tratados como criminosos”, enfatizou Mustafa, que lembrou que cerca de 12 mil egípcios passaram por tribunais militares nos últimos seis meses.

Sob o lema “A correção do trajeto”, o protesto terminou sendo, sobretudo, uma advertência ao Conselho Supremo das Forças Armadas, no poder desde a queda de Mubarak em fevereiro. Enquanto algumas pessoas chamavam a máxima autoridade militar, o marechal Hussein Tantawi, de amante de Mubarak, outras mostravam cartazes nos quais era possível ler: “Se o Exército está em cima, Deus está acima”.

O porta-voz do Movimento 6 de Abril, Ramy al Sewisy, ressaltou à Agência Efe a necessidade de que as autoridades militares passem o poder aos civis e fixem um cronograma para executar as reformas pendentes. Citou como exemplos a saída dos membros do antigo regime de todas as instituições do Estado e a organização das esperadas eleições legislativas e presidenciais.

Na praça, que amanheceu sem policiais após um mês desdobrados para evitar os acampamentos de manifestantes, se respirava um clima de insatisfação e até de raiva entre os presentes.

“Cometemos o erro de deixar as ruas em 12 de fevereiro”, admitiu Loai Omran, que criticou os avisos das forças da ordem deixando nas mãos dos manifestantes a responsabilidade por qualquer distúrbio.

Além disso, cidades como Alexandria, Luxor e Suez também registraram manifestações nesta sexta-feira.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado