O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), o alemão Jürgen Stark, pediu demissão nesta sexta-feira alegando razões pessoais, mesmo com sua clara oposição à compra da dívida pública dos países europeus, medida adotada pela entidade monetária.
Em comunicado, o BCE informou que Stark pediu demissão diretamente ao presidente da entidade, Jean-Claude Trichet, deixando seu cargo antes do previsto. O economista-chefe ficaria até o dia 31 de maio de 2014.
Apesar de anunciar sua saída nesta sexta-feira, Stark ainda permanecerá no posto até que se encontre um sucessor. No entanto, um novo nome deverá ser anunciado somente no final do ano.
Depois da confirmação da saída de Stark, que foi membro do comitê executivo e do Conselho do BCE desde 1º de junho de 2006, o euro reagiu com pequena queda. Por volta das 11h15 (horário de Brasília), a moeda era cotada a US$ 1,3727.
Depois de receber a notícia nesta sexta-feira, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, apenas agradeceu a contribuição de Stark à unidade europeia.
Ontem, contornando as críticas em relação à compra de dívida pública, o presidente do BCE defendeu sua gestão e a entidade monetária europeia, que tenta driblar o clima instável da atual crise financeira.
O BCE teve que intervir no mercado de dívidas soberanas para apoiar Espanha e Itália, cujos riscos superavam o nível de 400 pontos básicos com relação ao Bund (bônus alemão), um índice que serve de referência.
A entidade monetária iniciou em maio de 2010 um programa de compra de títulos de dívidas públicas para apoiar a Grécia, que atravessava fortes dificuldades financeiras. Posteriormente, o BCE também precisou intervir na economia de Irlanda e Portugal.