A economia dos Estados Unidos registrou uma perda inesperada de 92 mil postos de trabalho em fevereiro, segundo relatório do Escritório de Estatísticas do Trabalho divulgado nesta sexta-feira (6). A taxa de desemprego aumentou para 4,4%, ante 4,3% em janeiro.
Economistas consultados pela Reuters esperavam um ganho de 59 mil vagas no mês, com estimativas variando de uma perda de 9 mil a um aumento de 125 mil posições. O resultado reflete o impacto de uma greve de 31 mil trabalhadores do setor de saúde da Kaiser Permanente, na Califórnia e no Havaí, além de condições climáticas rigorosas durante o inverno. A greve já terminou, mas contribuiu para o declínio.
O número de janeiro foi revisado para baixo, de 130 mil para 126 mil vagas criadas, influenciado por uma atualização no modelo de estimativa do escritório, que considera aberturas e fechamentos de empresas. Economistas atribuem a estabilização do mercado de trabalho às incertezas decorrentes de tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, adotadas com base em uma lei de emergências nacionais.
Embora as tarifas de importação tenham sido derrubadas pela Suprema Corte dos EUA, Trump respondeu impondo uma tarifa global de 10%, que posteriormente anunciou aumento para 15%. Além disso, a repressão à imigração pelo governo reduziu a oferta de mão de obra, contribuindo para a desaceleração.
A taxa de desemprego de 4,4% permanece baixa pelos padrões históricos, e especialistas indicam preocupação apenas se ultrapassar 4,5%. No entanto, tensões no Oriente Médio, com ataques aéreos dos EUA e Israel contra o Irã e retaliação de Teerã, ameaçam elevar a inflação. Os preços da gasolina no varejo subiram mais de 20 centavos de dólar por galão desde o último fim de semana, segundo o grupo AAA, ampliando um conflito regional.
Diante disso, economistas acreditam que o Federal Reserve não retomará cortes nas taxas de juros em breve. A próxima reunião de política monetária ocorrerá em 17 e 18 de março, com expectativa de manutenção da taxa na faixa de 3,50% a 3,75%.