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Mundo

Dúvidas cercam pausa em ataques russos anunciada por Trump

Mais importante, não disse se o russo irá aceitar a proposta

Redação Jornal de Brasília

30/01/2026 8h46

Foto por ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

IGOR GIELOW
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O Kremlin confirmou nesta sexta-feira (30) que Donald Trump pediu a Vladimir Putin uma pausa nos ataques à Ucrânia, mas apresentou um motivo e um prazo diferentes do anunciado na véspera pelo presidente americano. Mais importante, não disse se o russo irá aceitar a proposta.

Enquanto isso, a madrugada teve os usuais bombardeios, mas em intensidade bem menor do que nas ondas mais recentes da campanha russa contra o sistema energético ucraniano. Foram lançados 111 drones, dos quais 25 atingiram alvos, assim como o único míssil balístico disparado, que atingiu Kharkiv (norte). Não houve ação concentrada em Kiev.

Tudo isso lança dúvidas sobre o que de fato Trump, que costuma elaborar versões da realidade a seu gosto, discutiu com Putin. O americano havia dito na quinta (29), numa reunião com seu gabinete, que o russo iria parar com as ações contra “Kiev e outras cidades” por uma semana devido ao frio extremo que atinge a Ucrânia.

Noves fora fatores humanitários nunca terem exatamente guiado as ações russas na invasão que completa quatro anos no próximo dia 24, o próprio Kremlin contou outra história.

Segundo o porta-voz Dmitri Peskov, Trump pediu uma pausa apenas até o domingo (1º) visando desanuviar o clima para a reunião prevista entre equipes negociadoras dos Estados Unidos, Rússia e Ucrânia, prevista para ocorrer em Abu Dhabi —palco da primeira rodada de encontros, no fim de semana passado.

Em Kiev, há expectativa apenas moderada. “Isso não é um cessar-fogo. Nós vamos parar de atacar se eles pararem”, afirmou o presidente Volodimir Zelenski durante conversa com jornalistas. Mesmo a natureza da pausa não é clara: Trump deu a entender que seria total, mas o ucraniano falou apenas em instalações energéticas.

Este é o pior inverno da história recente da Ucrânia, e Putin aproveitou o clima para acelerar o ritmo dos ataques que promove nesta época do ano para afetar a moral ucraniana. Após quatro temporadas, Kiev está com dificuldades extremas para reparar sua rede de energia, além de ter visto sua produção de gás e eletricidade ser reduzida a quase zero em dias de ataques.

Com isso, os ucranianos estão passando mais tempo no escuro, sem aquecimento e, muitas vezes, sem a água que precisa de bombas elétricas para chegar às casas e apartamentos. A indústria também é afetada, em especial a ligada à produção militar.

Zelenski colocou em dúvida até mesmo o local do encontro de domingo, dizendo que não está certo que será novamente nos Emirados Árabes Unidos. Foi uma aparente reação negativa à visita do presidente do país a Putin na quinta (29), no qual os líderes trocaram promessas de uma relação estratégica ainda mais estreita.

O ucraniano disse que o atual plano debatido com os EUA tem 20 pontos, e que a Ucrânia não concorda com 2 deles, sem detalhar, ainda que seja público que a questão de perdas territoriais é a mais difícil parar Kiev.

Do lado russo, o chanceler Serguei Lavrov havia dito na quinta que a proposta de uma trégua antes da resolução final dos itens na agenda do conflito, como quer a Ucrânia, é inaceitável para a Rússia.

Zelenski ainda retomou a proposta de aderir de forma expressa à UE (União Europeia), algo a que Putin não se opõe de forma liminar. Segundo o ucraniano, o país estará pronto para tal em 2027, o que foi visto como impossível tecnicamente por um de seus principais aliados, o premiê alemão, Friedrich Merz.

Além disso, qualquer associação entre o país do Leste Europeu e o bloco precisa ser aprovado pelos 27 integrantes da UE, e a Hungria já disse que não aceitará isso —posição que pode ser seguida pela também mais russófila Eslováquia.

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