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Mundo

Duplo atentado em metrô leva terror a Moscou

Arquivo Geral

29/03/2010 14h36

Os terroristas do Cáucaso desferiram hoje um novo golpe contra a Rússia ao matarem pelo menos 37 pessoas e ferirem cerca de 70 em um duplo atentado no metrô de Moscou.

“Segundo dados preliminares, os atentados foram cometidos por grupos terroristas que têm relação com o Cáucaso Norte. Esta é a principal versão”, afirmou Aleksandr Bortnikov, chefe do Serviço Federal de Segurança (FSB).

Ao informar o presidente russo, Dmitri Medvedev, o chefe do serviço secreto disse que, “no local das explosões, foram encontradas partes dos corpos de duas mulheres suicidas”.

Mulheres que participam de atos desse tipo ficaram conhecidas na região como “viúvas negras”, já que vestem roupas pretas e costumam ser esposas de guerrilheiros islâmicos mortos pelo antigo KGB.

Os atentados desta segunda-feira, nos quais foi utilizado ciclonita, uma das substâncias preferidas dos separatistas chechenos, ocorreram no horário de maior movimentação do metrô de Moscou.

O líder russo afirmou que a Rússia realizará uma guerra sem quartel contra o terrorismo, e ao cair à noite desceu pessoalmente à estação Lubyanka para colocar uma oferenda floral no lugar da tragédia.

O chefe do Kremlin classificou de “animais” aos organizadores dos atos terroristas e afirmou que “serão liquidados todos” da mesma forma que o foram os responsáveis de outros atentados na Rússia.

Precisamente, o Serviço Federal de Segurança russo, cuja sede se encontra junto à estação Lubyanka, considerou esse duplo ataque como uma resposta à eliminação nos últimos meses de vários cabeçinhas da guerrilha separatista islâmica no Cáucaso.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, retornou com urgência da Sibéria a Moscou, onde diretamente do aeroporto se dirigiu a um dos quatorze hospitais nos quais foram ingressados os feridos.

O Ministério da Saúde informou que o estado de cinco dos feridos é muito grave, de outros 27 graves, de 34 mais de média gravidade e que só os seis restantes se encontram em estado satisfatório.

A Prefeitura de Moscou declarou na terça-feira um dia de luto na capital, enquanto o Governo anunciou ajudas e compensações às famílias das vítimas mortais e aos feridos.

O atentado suicida, o primeiro a Moscou desde 2004, obrigou ao Governo a voltar a impor rigorosas medidas de segurança nos aeroportos, estações de ferrovia e o transporte por toda Rússia, enquanto em Moscou asautoridades mobilizaram a quase mil de militares para patrulhar as ruas e linhas de metrô.

Os ataques, nos quais utilizou ciclonita, explosivo preferido pela guerrilha separatista chechena, ocorreram em hora do rush quando o metrô de Moscou levava vários de milhões de pessoas a seus lugares de trabalho.

As explosões ocorreram com menos de uma hora de diferença nas estações centrais de metrô Lubyanka e Park Kultury, ambas da chamada linha vermelha do metropolitano, a mais antiga e uma das mais movimentadas, e semearam o pânico entre os passageiros.

As imagens captadas por telefones celulares mostram os corredores das estações afetadas cobertas por uma fumaça, com os passageiros aturdidos e deitados no chão tentando chamar com o telefone celular.

Após as detonações, os acessos à linha vermelha entre essas duas estações foram fechados e não voltaram a abrir até mais de oito horas mais tarde, quando começaram a circular os trens.

Também demorou três horas em retomar o tráfego rodado na estrada circular de Moscou, que a Polícia tinha cortado causando numerosos engarrafamentos, que colapsaram a cidade.

O FSB afirmou que os trens dinamitados tinham câmeras de segurança, o que permitiu captar imagens das suicidas e, por extensão, as de outras duas mulheres de aspecto eslavo que as tinham acompanhado até a entrada ao metrô.

Esse tipo de suicidas, que bateram já em outras ocasiões a capital russa com atentados com bomba, são conhecidas como “viúvas negras” porque vestem roupa de luto e costumam ser esposas de guerrilheiros islâmicos abatidos pelos serviços secretos.

Segundo analistas, as explosões ocorreram quando os vagões se encontravam nas estações com as portas abertas, o que diminuiu potência às detonações e salvou muitas vidas.

Os presidentes das repúblicas caucásicas russas da Chechênia e Inguchétia condenaram os atentados suicidas no metrô de Moscou, enquanto o Centro de Coordenação dos Muçulmanos do Cáucaso Norte pediu não vincular esses ataques com o islã.

Dirigentes de numerosos países e organizações internacionais condenaram o ataque terrorista em Moscou, e o presidente americano, Barack Obama, chamou por telefone pessoalmente a Medvedev para dar-lhe suas condolências.

O último atentado de similar magnitude perpetrado pela guerrilha separatista chechena contra o metrô de Moscou teve lugar em fevereiro de 2004, quando morreram 41 pessoas e outras 250 ficaram feridas.

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