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Mundo

Doença mental de atirador de Washington não evita pena de morte

Arquivo Geral

10/11/2009 0h00


John Allen Mohammed, conhecido como o “franco-atirador” que espalhou o terror na região de Washington em 2002, deixando dez mortos em postos de gasolina e estacionamentos, é, segundo seus advogados, um doente mental.

O argumento não foi suficiente. A Suprema Corte dos Estados Unidos e o governador do estado da Virgínia rejeitaram a apelação de sua defesa. Às 21h locais (0h de Brasília de quarta-feira), Mohammed receberá a injeção letal que o eternizará como parte de uma triste história da região metropolitana da capital americana.

Em outubro de 2002, Mohammed e seu jovem pupilo e colega, John Lee Malvo, usaram de uma espingarda de alta potência e de veículos superequipados para matar e fugir sem deixar pistas.

Aos 48 anos, Mohammed é, segundo os testemunhos daqueles que o conheceram em tempos mais “normais”, um indivíduo frustrado, veterano de guerra, que tentou levar à frente, sem sucesso, uma escola de caratê e um loja de compra e venda de veículos usados.

Divorciado duas vezes, Mohammed é pai de quatro filhos, um de seu primeiro casamento com Carol Williams, com quem se casou em 1981 e se separou em 1985; e três de sua segunda união, com Mildred Mohamed, em 1988.

Durante este segundo casamento, o casal viveu na maior parte do tempo na área de Tacoma, no estado de Washington. Pessoas que os conheceram dizem que, entre 1992 e 1999, Mildred e John, convertidos ao islamismo e membros da “Nação do Islã” do reverendo Louis Farrakhan, tinham a imagem de “uma família modelo”.

Por causa dessa conversão, John mudou seu sobrenome de nascimento, Williams, por Mohammed, em homenagem a sua nova fé.

Durante os anos 90, Mohammed esteve na Guerra do Golfo, da qual retornou sem condecorações, e pouco depois, promovido a sargento, deixou o Exército americano depois de comparecer diante dois tribunais militares por desobediência e por ter agredido fisicamente um superior.

No entanto, não tinha fama de violento. As pessoas que conviveram com ele nesta época – quando ainda se chamava John Allen Williams – afirmam que não lembram de nada em específico sobre o criminoso.

Nos anos 90, Mohammed montou um negócio de compra e venda de automóveis usados que, inicialmente, foi bem.

No final dessa década, Mohammed e um sócio, Felix Strozier, se lançaram à aventura de criar uma escola de caratê, pensando que boa parte da comunidade muçulmana da área levaria suas crianças para lá.

Entretanto, a dupla se equivocou e, aparentemente, foi a partir daí que começaram os problemas que acabariam afetando o segundo casamento de Mohammed, que um dia decidiu sair de casa.

Em 1999, Mildred apresentou um processo de divórcio e se negou a permitir que o pai visse os três filhos de ambos, o que afetou profundamente Mohammed, que iniciou uma batalha para conseguir que seus filhos vivessem com ele.

Cansada e sem dinheiro, Mildred disse à Polícia que estava muito preocupada com a atitude de seu ex-marido e que ele a ameaçava. Hoje, ela disse não sentir pena alguma do destino de Mohammed.

Mildred afirmou que ele tinha acesso a armas e que, como “especialista em demolição e armas”, podia construir uma arma “de qualquer coisa”, segundo declarações publicadas pelo jornal “The Washington Post”.

Após separar-se, Mohammed passou a viver nas ruas e acabou indo parar em um albergue de Bellingham, perto de Tacoma, onde conheceu Malvo.

Mohammed e Malvo ficaram muito amigos no albergue e saíram do mesmo dizendo que eram “pai e filho”.

Malvo foi condenado à prisão perpétua. Hoje, seu “pai” enfrenta a pena de morte.

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