Fernando Villavivencio, candidato à presidência do Equador, foi assassinado na noite de ontem (9) em Quito, capital do país, após participar de comício político, com três tiros na cabeça. Ele tinha 59 anos e, antes de entrar na política, exercia a função de jornalista investigativo.
Ele se declarava defensor das causas sociais indígenas e dos trabalhadores, sendo líder sindical. Além disso, atuava na luta contra a corrupção, e chegou a apresentar denúncias de irregularidades em contratos estatais até dias antes de ser assassinado.
Uma de suas investigações jornalísticas levou o ex-presidente Rafael Correa (2007-2017) ao banco dos réus. O relatório, feito em conjunto com seu colega e amigo Christian Zurita, expôs um esquema de propinas que encurralou o ex-chefe de Estado e funcionários de seu governo por terem recebido subornos de empresários.
Por esse caso, Correa, que está refugiado na Bélgica e a quem Villavicencio se referia como “o fugitivo”, foi condenado à revelia a oito anos de prisão.
O jornalista foi acusado de injúrias contra Correa, sendo condenado a 18 meses de prisão em 2014. Na época, Villavicencio chegou a receber asílo político no Peru, e dizia ser perseguido pelo ex-presidente de seu país. Durante o exílio, ele seguiu investigando casos de corrupção, incluindo um suposto prejuízo milionário ao Equador com a venda de petróleo para a China e a Tailândia.
Ameaças
Durante a campanha eleitoral, principalmente na última semana, Villavicencio denunciou duas ameaças contra sua vida e sua equipe de campanha. O candidato estava sob proteção policial quando foi atacado a tiros ao sair de um comício político com apoiadores.
“Apesar das novas ameaças, continuaremos lutando pelo povo corajoso do nosso #Equador”, escreveu Villavicencio em sua rede social, ao denunciar mensagens intimidadoras.
Eleições
Apesar da tragédia, o primeiro turno das eleições equatorianas segue marcado para o dia 20 de agosto. Elas foram antecipadas em maio, após Lasso, o atual presidente, convocar uma cláusula da Constituição e dissolver a Assembleia Nacional. O país enfrenta uma grave crise política.
De acordo com uma pesquisa de intenção de votos feita pela ClickReport no começo deste mês, a candidata Luísa Gonzáles, apoiada pelo ex-presidente Correa, aparecia na frente, com 29,2% dos votos. Já Fernando Villavivencio aparecia apenas em 4º, com 7,5%.
- Luisa Gonzáles: 29,2%
- Yaku Pérez: 14,4%
- Otto Sonnenholzner: 12,3%
- Jan Topic: 9,6%
- Fernando Villavicencio: 7,5%
- Brancos e nulos: 16,9%
- Outros: 10,1%
Já em outra pesquisa, realizada pela Cedatos em 20 de julho, Villavicencio estava em segundo, com 13,2%, atrás apenas de Gonzáles (26,6%), e à frente de Pérez (12,5%) e Sonnenholzner (7,5%).