O diretor-geral do Banco para Pagamentos Internacionais (BIS), viagra Jaime Caruana, disse hoje que “a sensação de queda livre já passou”, pois as economias avançadas dão mostras de estabilização, embora ainda estejam contraindo.
Em entrevista coletiva depois que o BIS realizou sua assembleia geral anual, Caruana considerou que “a maioria das economias de mercado emergentes aguentou melhor do que o esperado”.
O BIS prevê “o retorno do crescimento mundial positivo no final deste ano”.
No entanto, Caruana insistiu em que “o caminho para uma recuperação sustentável está cheio de riscos”.
O responsável do BIS disse “que caminhamos, em grande medida, em terreno desconhecido”, e que a volta à normalidade “segue em meio à incerteza”.
Em um ato de autocrítica, o diretor do banco afirmou que, “até quando se conheciam os riscos, ninguém estava disposto a pagar o preço para remediar os desequilíbrios que tinham tornado possíveis taxas recordes de crescimento mundial”.
O BIS também publicou hoje seu relatório anual, no qual domina um tom pessimista e de advertência, apesar de reconhecer os primeiros sinais de estabilização.
O futuro, o caminho para uma recuperação sustentável, está cheio de riscos e ainda resta muito a fazer, adverte.
A entidade afirmou no relatório que não se sabe se as medidas adotadas até agora, tanto pelos Governos quanto pelos bancos centrais, vão ter o efeito esperado.
O BIS já havia advertido em junho de 2005 sobre a gestação da crise financeira.
Ao fazer um balanço do que ocorreu, Caruana criticou que “superestimamos as vantagens de diversificação que apresentava o modelo de empréstimo baseado em originar riscos para distribuí-los depois”.
Agora, “o setor financeiro deve contrair, pois cresceu demais e acumulou ativos de qualidade duvidosa”, disse Caruana.
O BIS adverte que, se não forem reparados os problemas do sistema financeiro, as políticas monetárias e fiscais aplicadas até agora poderiam não dar resultados, e a recuperação sustentável poderia demorar a chegar ou não acontecer.