O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, insistiu hoje em que a metade das perdas dos bancos pode continuar oculta e em que não haverá um crescimento forte sem uma “limpeza completa” dos balanços bancários.
“Volto a dizer. A história das crises bancárias (…) demonstra que não haverá um crescimento sem uma limpeza completa do balanço dos bancos”, afirma Strauss-Kahn em entrevista ao “Le Figaro”.
“Ainda há perdas importantes ocultas” e a proporção dessas perdas é maior na Europa que nos Estados Unidos, diz.
Strauss-Khan explica na entrevista que não é partidário de limitar o tamanho dos bancos, embora considere legítimo pedir uma “contribuição financeira” se uma entidade assumir riscos que podem prejudicar o sistema financeiro.
“O FMI estuda todas as propostas impositivas sobre o sistema financeiro, como foi pedido pelo Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países desenvolvidos e os principais emergentes)”, e que apresentará um relatório a respeito em abril, acrescenta.
Sobre a polêmica em torno dos “bônus bancários”, o diretor do FMI diz compreender que, de um ponto de vista ético, possam parecer algo “escandaloso”, enquanto as entidades se salvaram graças ao apoio do dinheiro publico.
O que está claro, em sua opinião, é que não vai haver uma segunda operação de salvamento do setor financeiro.
A partir de agora, acrescenta, quando a economia começa ver “a luz no fim do túnel”, é preciso começar a preparar os planos de saída.
Segundo ele, “é preciso anunciar como as empresas voltarão a situações orçamentárias mais sustentáveis. Todo o mundo tem direito de saber”.
No FMI, “não acreditamos em uma recaída (…), mas não podemos descartá-la totalmente”, afirma, antes de dizer que “é preciso manter os apoios públicos, porque a demanda privada continua sendo fraca e o desemprego vai seguir aumentando durante bastante tempo”.
Hoje em dia é possível considerar que a crise financeira está mais ou menos controlada e que foi transformada em uma crise econômica “da qual começamos a ver a luz no fim do túnel”, mas Strauss-Khan alerta que “a crise social continua sendo muito forte, principalmente nos países avançados”.
O diretor-gerente do FMI explica que poderia dizer que “estávamos diante de um incêndio” e, embora o fogo tenha sido apagado, “agora há água para todo lado”. Segundo ele, será necessário um tempo para eliminá-la e voltar a níveis razoáveis, uma tarefa “que alguém tem que fazer”.