O diretor do FBI (Polícia federal americana), Robert Mueller, disse hoje estar “indignado” com a decisão do Executivo escocês de libertar o único condenado pelo atentado de Lockerbie, na Escócia, o líbio Abdelbaset Ali Mohmed Al Megrahi.
Megrahi, que sofre de um câncer terminal, foi solto na quinta-feira por razões humanitárias, após cumprir apenas oito anos de sua condenação à prisão perpétua pelo atentado de 1988 contra um avião da Pan Am que sobrevoava a localidade escocesa de Lockerbie quando se dirigia aos Estados Unidos e que matou 270 pessoas.
O terrorista foi recebido como um herói ao chegar a Trípoli, o que provocou a fúria de Washington.
“Estou indignado com a decisão”, disse Mueller em carta dirigida ao ministro da Justiça escocês, Kenny MacAskill, e divulgada hoje pelo FBI.
O responsável pela Polícia federal americano diz que a soltura de Megrahi “é tão inexplicável quanto prejudicial para a causa da justiça. Sua ação zomba da lei”.
Antes de ser diretor do FBI, Müller fez parte do Departamento de Justiça americano por vários anos, onde liderou a investigação do atentado de 1988, no qual morreram principalmente cidadãos americanos.
Mueller lamenta na carta que MacAskill tenha tomado a decisão sem levar em conta a opinião de seus parceiros na investigação.
“Apesar de o FBI e a Polícia escocesa terem trabalhado de forma muito próxima para levar os responsáveis perante a lei, não nos pediram a opinião uma única vez”, diz Mueller a MacAskill em referência à libertação.
Na quinta-feira, o presidente americano, Barack Obama, disse “lamentar profundamente” a libertação do terrorista líbio.
Washington tinha solicitado que Megrahi cumprisse a totalidade de sua pena na Escócia.