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Mundo

Diálogo em Honduras recomeça com diferenças entre Zelaya e resistência

Arquivo Geral

13/10/2009 0h00


 As delegações do presidente de fato de Honduras, Roberto Micheletti, e do chefe de Estado deposto, Manuel Zelaya, retomaram hoje o diálogo para solucionar a crise política causada pelo golpe de Estado de 28 de junho com discordâncias entre o líder derrubado e o movimento que o apoia.

Na semana passada, o diálogo alcançou acordos sobre cinco pontos, entre eles a criação de um Governo de reconciliação nacional, a não concessão de anistia política e a renúncia de Zelaya a promover uma Assembleia Constituinte caso seja restituído.

Este último acordo provocou hoje a primeira baixa na equipe de diálogo de Zelaya, o sindicalista Juan Barahona, dirigente do movimento de resistência popular que apoia o governante deposto e que defende uma Constituinte.

“Não estamos de acordo, mas vamos respeitar a posição dele (Zelaya), a renúncia à Constituinte”, declarou Barahona a jornalistas após deixar a mesa de diálogo por decisão, segundo ele, do próprio Zelaya.

Barahona foi substituído pelo advogado Rodil Rivera.

O sindicalista esclareceu que sua saída não significa uma ruptura da Frente de Resistência contra o Golpe de Estado, da qual é dirigente junto com Zelaya, o que o movimento ratificou em comunicado.

Porém, Barahona disse ter “uma posição muito cética” quanto à obtenção da restituição “na mesa”.

Outro dirigente da resistência, Rafael Alegria, disse à Agência Efe que “há pouco otimismo no diálogo” porque “o regime golpista de Micheletti continua reprimindo o povo” e mantém em vigor o decreto que restringe as garantias constitucionais, embora tenha anunciado sua derrogação na semana passada.

A ex-presidente da Corte Suprema de Justiça Vilma Morales, integrante da comissão de Micheletti, disse que a restituição de Zelaya “não pode deixar de ser vista, tem que ser discutida de uma maneira responsável” e “com a seriedade que o caso merece”.

“O respeito a nosso marco legal é fundamental para pactuar posições” no diálogo, enfatizou a ex-magistrada em declarações a jornalistas.

Rasel Tomé, assessor de Zelaya, ressaltou que o presidente deposto continua apostando no diálogo porque “é uma das formas pelas quais as sociedades conseguiram resolver os conflitos de maneira civilizada”.

No entanto, “o requisito prévio para conseguir eleições válidas é o retorno da democracia por meio da restituição do presidente Zelaya”, disse a veículos de imprensa locais, em referência ao pleito marcado para 29 de novembro.

Segundo Tomé, “também não pode haver eleições” legítimas se “o regime de fato está reprimindo, está fechando veículos de comunicação”, caso de uma emissora de rádio e de um canal de televisão lacrados desde 28 de setembro.

Para Vilma Morales, “o respeito” às eleições está incluído no diálogo a fim de que “não haja obstrução à participação cidadã, que nem direta, nem indiretamente, haja ações que afetem o processo eleitoral”.

A resistência ao golpe pediu aos hondurenhos em seu comunicado para “redobrar os esforços para derrotar a ditadura empresarial-militar” e reiterou que, se Zelaya não for restituído no próximo dia 15, atuará de forma a não reconhecer a “farsa eleitoral”.

Morales disse que os cinco primeiros acordos “já estão assinados pelas comissões” e representam 60% do Acordo de San José, proposto pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias, e que estabelece como ponto central a volta de Zelaya ao poder.

Em 28 de junho, dia em que Zelaya foi derrubado, haveria uma consulta popular sobre a realização de uma Assembleia Constituinte em Honduras.

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