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Dezenas de navios-petroleiros ficam parados com fechamento de Hormuz e guerra no Irã

Ao menos 40 navios de grande porte transportando cerca de 2 milhões de barris de petróleo cada estão parados no golfo Pérsico

Redação Jornal de Brasília

03/03/2026 16h40

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Soldados da Marinha iraniana em uma lancha armada no Golfo Pérsico, perto do Estreito de Ormuz. em abril de 2019. Foto: Morteza Nikoubazl/ Nurphoto/ Getty Images

FERNANDO NARAZAKI
FOLHAPRESS

Dezenas de navios-petroleiros carregados estão parados no golfo Pérsico após o Irã anunciar o fechamento do trafégo pelo estreito de Hormuz, rota por onde passa 20% da produção mundial de petróleo no mundo, nesta terça-feira (3).

A fila começou a se formar no sábado (28) quando os EUA e Israel iniciaram os ataques sobre o Irã, que revidou e atingiu bases militares, portos e outros locais no Qatar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Omã. O grupo terrorista Hezbollah entrou no conflito no domingo (1º) e o Líbano também passou a ser alvo dos israelenses.

Segundo a agência de notícias Bloomberg, ao menos 40 navios de grande porte transportando cerca de 2 milhões de barris de petróleo cada estão parados no golfo Pérsico, de acordo com dados de rastreamento de navios da Kpler. A plataforma de rastreamento Vortexa mostrou que apenas quatro superpetroleiros trafegavam no domingo (1º). Um dia antes, foram registradas 22 embarcações.

Os navios também viraram alvos dos bombardeios entre os países. Nesta terça, um tanque de combustível no porto comercial de Duqm, em Omã, foi atingido, e um incêndio eclodiu em Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, um dos principais polos petrolíferos da região.

A petrolífera Saudi Aramco anunciou que desviará suas embarcações para o Rio Vermelho, mas ele passa na costa do Iêmen, onde os houthis, que apoiam o regime iraniano, controlam a região. Em janeiro de 2024, uma série de ataques dos rebeldes levou o tráfego marítimo a alterar sua rota entre Europa-Ásia e África pelo Cabo da Boa Esperança, cujo tempo de trajeto é bem maior.

Outras empresas de transporte marítimo já divulgaram que retomarão a rota pelo Cabo da Boa Esperança, mesmo com o tempo e custo maiores.

O ministro da Marinha Mercante da Grécia pediu proteção do transporte marítimo global e dos marinheiros, em meio a uma situação “alarmante” que deixou dezenas de navios retidos no Oriente Médio. “Isso é alarmante e preocupante, e eu gostaria que o transporte marítimo global ficasse de fora dos conflitos de guerra”, comentou Vassilis Kikilias.

“O transporte marítimo global tem a ver com o comércio global, do qual todos precisam. E os marinheiros, é claro, não têm culpa”, destacou. De acordo com o ministro, ao menos dez navios com bandeira grega estavam no golfo Pérsico e outros cinco do lado de fora, com tripulações que incluem dezenas de marinheiros gregos. Mais de 325 navios de interesses gregos estão na região mais ampla.

As taxas de frete marítimo ao redor do mundo também dispararam para um recorde histórico à medida que o conflito se intensificou e Teerã passou a atacar navios que atravessam o estreito.

A situação levará Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Irã a começar a cortar a produção de petróleo em questão de dias, a menos que consigam encontrar novos navios-tanque para transportar o petróleo que continua sendo extraído do subsolo.

Além do problema com o tráfego dos navios, empresas em todo o Oriente Médio anunciaram a interrupção de produção de petróleo e GNL (gás natural liquefeito).

A QatarEnergy, companhia estatal de energia do Qatar, anunciou nesta terça-feira (3) que interromperá a produção de produtos como alumínio, ureia, polímeros, metanol e outros produtos. O anúncio ocorre um dia depois de a empresa paralisar a produção de GNL, o que levou o preço do produto a subir mais de 45% na segunda-feira (2).

O país é responsável pelo fornecimento de 20% das negociações em todo o mundo. A maior parte do GNL qatariano vai para a Ásia, mas parte também segue para a Europa, que depende inteiramente de importações para suas necessidades de petróleo e gás.

Espera-se que a Europa corra para repor estoques, esgotados por um inverno rigoroso, e precisará depender ainda mais do gás americano, após rejeitar o gás russo depois da invasão da Ucrânia em 2022.

A Arábia Saudita suspendeu a produção em sua maior refinaria doméstica, enquanto Israel e o Curdistão iraquiano também interromperam parte de sua produção de gás e petróleo.

A Índia, um dos países mais dependentes de petróleo e gás do Oriente Médio, afirmou que começou a racionar o fornecimento de gás para indústrias após a interrupção da produção do Qatar.

ESCASSEZ DE NAVIOS-TANQUE FORÇARÁ CORTES NA PRODUÇÃO


Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Irã precisarão começar a cortar a produção de petróleo em questão de dias, a menos que consigam encontrar novos navios-tanque para transportar o petróleo que continua sendo extraído do subsolo.

Especialistas em segurança estão tentando avaliar quantos mísseis e drones o Irã ainda possui para manter a intensidade de seus ataques.

Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã e Kuwait conseguiram até agora interceptar a maioria dos mísseis e drones que visavam instalações de energia, portos e aeroportos, mas crescem as preocupações sobre se seus estoques de sistemas antidrone e antimísseis estão se esgotando.

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