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Desinformação ameaça confiança nas vacinas, adverte OMS

Redação Jornal de Brasília

18/03/2026 11h54

Foto: Reprodução

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Os programas de vacinação estão ameaçados por uma desinformação crescente e pelas incertezas sobre o financiamento da pesquisa, alertaram nesta quarta-feira (18) os especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Vacinação (SAGE, sigla em inglês) da OMS realizou, na semana passada, a sua reunião semestral, centrada especialmente nas vacinas contra a covid-19 e a febre tifoide.

“Entre os novos desafios emergentes está a incerteza quanto ao financiamento da pesquisa e o desenvolvimento de vacinas, assim como a desinformação e a informação distorcida que minam a confiança do público nas vacinas”, advertiu o SAGE em um comunicado.

O grupo afirmou que “proteger a confiança e combater a desinformação serão prioridades em 2026”.

“Vivemos um período de profundas mudanças, tanto em matéria de doenças quanto nos programas de vacinação”, declarou Kate O’Brien, diretora do Departamento de Imunização e Vacinas da OMS, aludindo aos conflitos, às dificuldades econômicas e às restrições orçamentárias.

“A confiança nas vacinas está ameaçada pela desinformação. O risco é um retrocesso, inclusive que alguns países decidam não conseguir financiar todas as vacinas previstas em seu programa”, afirmou também à imprensa.

Depois que Robert F. Kennedy Jr., secretário de Saúde dos Estados Unidos, fez declarações antivacinas e divulgou afirmações que vinculam as vacinas ao autismo, uma análise da OMS publicada em dezembro reafirmou a ausência de relação entre as vacinas e este transtorno neurológico.

“As vacinas não causam autismo e nunca causaram”, reiterou O’Brien, lembrando que as vacinas salvaram 154 milhões de vidas nos últimos 50 anos.

Além disso, o SAGE expressou sua preocupação pela persistente transmissão do vírus da poliomelite em sua forma natural, conhecido como poliovírus selvagem, no Paquistão e Afeganistão, assim como a detecção do poliovírus de tipo 2 – uma cepa relacionada ao poliovírus atenuado contido nas vacinas orais – na África.

“O conflito no Oriente Médio poderia provocar uma nova propagação dos vírus da poliomelite, o que complicaria ainda mais a meta de erradicação”, advertiu Anthony Scott, presidente do SAGE.

No que diz respeito à vacinação contra a covid-19, o SAGE recomendou considerar uma vacinação sistemática duas vezes por ano para os grupos de maior risco, devido à diminuição do nível de proteção após seis meses.

AFP

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