Os empresários dos Estados Unidos demitiram menos que o previsto em julho, o que permitiu que a taxa de desemprego no país caísse pela primeira vez desde abril de 2008, num sinal de que a economia americana começa a se recuperar.
No mês passado, as companhias americanas eliminaram 247 mil postos de trabalho, menos que os 320 mil previstos pelos analistas. A taxa de desemprego, por sua vez, caiu de 9,5% em junho para 9,4%.
Os números, divulgados hoje pelo Departamento de Trabalho, reforçam a opinião de um número cada vez maior de economistas, para os quais a crise começa a chegar ao fim e o país talvez volte a crescer no atual trimestre.
Recentemente, o Federal Reserve (banco central americano, Fed) também havia dito que várias regiões do país começavam a emitir sinais de estabilização. Ainda assim, a assessora econômica da Casa Branca, Christina Romer, disse ontem que, até o Produto Interno Bruto (PIB) começar a crescer, levará algum tempo para o desemprego cair.
Tanto o Fed como a Casa Branca acham que o número de americanos sem trabalho chegará este ano a 10% da população. Para 2010, as previsões são de que a taxa suba para 10,6%, próxima ao nível de 10,8% alcançado em 1982.
Por essa razão, o Governo preferiu adotar um tom de cautela ao anunciar os novos dados.
“Os números sobre o desemprego de hoje continuam evidenciando os desafios dos problemas econômicos herdados por esta Administração”, afirmou, em nota, a secretária de Trabalho, Hilda Solís.
“Ainda não há recuperação, mas começamos a criar a estabilidade necessária para chegar a esse ponto. E não ficaremos satisfeitos até vermos a geração de emprego registrar um crescimento mensal robusto”, acrescentou Solís.
A atual recessão nos EUA, que começou em dezembro de 2007, é a mais longa desde a Segunda Guerra Mundial. Por conta dela, cerca de 6,5 milhões de pessoas perderam o emprego no país.
Fechada a conta referente a julho, o EUA encerraram o segundo trimestre com uma média de 436 mil demissões ao mês. No trimestre anterior, a perda de vagas no mercado de trabalho foi de aproximadamente 700 mil a cada quatro semanas.
A maior perda de empregos desde o começo da recessão, e também a maior registrada num único mês desde 1949, aconteceu em janeiro, quando 741 mil pessoas foram demitidas.
A cautela do Governo, na verdade, tem sua razão de ser, já que o desemprego nos EUA continua em seu maior nível em 26 anos.
Ainda de acordo com o Departamento de Trabalho, 14,5 milhões de americanos estavam desempregados em julho, número que se continuar subindo pode virar uma bomba política para o Partido Democrata nas eleições legislativas do ano que vem.
A história mostra que o desemprego tem muito peso no campo político. A última vez em que a taxa passou de 10%, o Partido Republicano, do então presidente Ronald Reagan (1981-1989), perdeu 26 cadeiras na Câmara de Representantes no pleito legislativo de 1982.
Obama já pediu à população que não esmoreça e prometeu que o pacote de US$ 787 bilhões que elaborou para salvar a economia dará frutos.
Entre os republicanos, porém, não faltam críticas ao Governo. “Mais de 2,8 milhões de pessoas perderam o emprego desde que o presidente assumiu o poder”, disse hoje o líder do partido, Michael Steele.
“O presidente disse que seu pacote de estímulo impediria que o desemprego passasse de 8 %, mas não foi bem assim”, acrescentou o legislador da oposição.
Obama, enquanto isso, insiste que a economia se recupera e critica os que, na opinião dele, causaram os transtornos atuais e agora querem atribuí-los a outros.