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Mundo

Desaparecimento de advogada é o centro das atenções na Romênia

Arquivo Geral

04/01/2008 0h00


O misterioso desaparecimento de uma advogada de 38 anos, order Elodia Ghinescu de Brasov, uma história de adultério, ciúme, violência e morte, é o evento da temporada na Romênia, debatido e analisado por todos os jornais e televisões e transformado em fenômeno sociológico.

Elodia, com seu nome incomum e seu olhar intenso, entrou na vida dos romenos no fim de agosto. O seu marido, um robusto detetive da Polícia, Cristian Cioaca, denunciou então que sua mulher não tinha voltado do escritório para casa, nem dado sinais de vida. O casal tem um filho de 3 anos.

Estaria morta ou teria fugido com outro homem? Esse é o enigma que toda a imprensa passou a debater. A emissora OTV a cada noite dedica horas inteiras ao caso, ouvindo psicólogos, advogados, detetives, vizinhos, parentes, astrólogos e adivinhos paranormais, entre outros convidados.

A advogada Elodia Ghinescu voltava de uma viagem a Dubai, onde havia passado sete dias com seu amante, um oficial do serviço secreto romeno que trabalhava no Afeganistão, segundo se comprovou por seu e-mail.

“Meu amor, entre nós sempre houve um tipo de tensão, talvez cósmica, talvez telúrica”, escrevia Elodia a seu amante. “Tu me percebes como um corpo cósmico que teve impacto terrível em tua vida. Eu penso em ti como um trem de grande velocidade que me atingiu totalmente quando eu menos esperava”, dizia, segundo as mensagens de amor publicadas na imprensa sensacionalista.

O principal suspeito é o marido. Segundo se especula, ele poderia ter assassinado a sua mulher por ciúme. Na noite anterior ao desaparecimento, ele foi de carro a Pitesti, onde vivem seus pais e uma amiga íntima.

No entanto, não há provas contra Cristian Cioaca. O corpo da suposta vítima não foi achado. Mas há suspeitas de que ele tenha sido cortado em pedaços e ocultado.

Cioaca está em depressão, declara que espera pela volta da sua mulher para casa, afirma não ter feito jamais dano algum a ela e reconhece que ela batia na sua cara.

A Polícia procura Elodia em jardins, barrancos, montanhas, florestas, no fundo dos lagos, sob as pontes, nos frigoríficos e até dentro dos muros de construções recentes.

A série de debates na TV já chegou a quase 100 episódios. Os espectadores intervêm com dezenas de milhares de mensagens e telefonemas. Muitos sugerem onde pode estar o cadáver; outros garantem que viram recentemente a advogada em Dublin, Sevilha ou Frankfurt.

Quase metade das pessoas que acompanham o caso sugere a hipótese de que Elodia pode ter encenado a sua morte.

Enquanto alguns romenos condenam a sua conduta, outros a defendem. Ex-colegas de faculdade testemunham sua inteligência, seu espírito de aventura e coragem fora do comum. O seu instrutor de ginástica destacou seu excepcional estado físico.

A “OTV” comemora audiência máxima durante os debates e vende publicidade a centenas de milhares de euros todas as noites.

Enquanto isso, as cafeterias lançam o bolo Elodia, na internet aparece o jogo “Procure Elodia!”, seu nome ecoa nos estádios, numa balada de sucesso e numa paródia musical.

Os estúdios de cinema MediaPro Pictures lançaram um concurso de roteiros para um filme ou série de TV, “O enigma de Elodia”. Foram propostos dois enfoques: uma mistura de comédia e ficção científica e um filme de horror sadomasoquista.

Jornais como o “Adevarul” estudam o impacto do fenômeno e comprovam que os mais importantes assuntos políticos não despertaram nem um quarto do interesse. “A morte e o sexo são a receita infalível, capaz de alimentar tanto a curiosidade mórbida quanto a vontade de espiar pelo buraco da fechadura”, conclui outro jornal, o “Gandul”, acrescentando que o fenômeno tem uma explicação racional por ser o expoente do sensacionalismo e do consumismo midiático levados a extremos.

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