Vários parlamentares britânicos pediram ao juiz encarregado da investigação sobre as circunstâncias da morte de Diana de Gales que ponha fim ao que qualificaram de “circo” e de “farsa”.
Os parlamentares, dosage tanto da Câmara dos Lordes como dos Deputados, fizeram o pedido ao saberem que o juiz Scott Baker tinha convocado como testemunhas dez funcionários do MI6, o serviço de espionagem exterior britânico.
“Acho que é uma perda total de tempo e de dinheiro. (Mohamed al-Fayed) Transformou tudo isto em um circo”, criticou lorde Foulkes de Cumnock, membro do comitê de Inteligência e de Segurança da Câmara dos Lordes, em referência ao dono das lojas Harrods e pai de Dodi, namorado de Diana.
Diana e Dodi morreram em 31 de agosto de 1997 em um acidente de trânsito em Paris.
O magnata egípcio Mohamed al-Fayed insiste na teoria de que os dois foram assassinados pelos serviços secretos britânicos seguindo ordens do príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II, em cumplicidade com o Governo do ex-primeiro-ministro Tony Blair.
Segundo Al-Fayed, a princesa estava grávida e a Família Real britânica não podia tolerar que um muçulmano se transformasse em padrasto dos príncipes William e Harry da Inglaterra, segundo e terceiro na linha de sucessão ao trono.
A presença dos dez funcionários do MI6 foi solicitada pelos advogados do dono da Harrods e devem comparecer perante o juiz na próxima semana.
“Acho que o juiz deveria pensar seriamente na possibilidade de pôr fim à investigação”, afirmou Scott Baker, citado hoje pelo jornal “The Times”.
Na quarta-feira, o ex-chefe do MI6 Richard Dearlove negou categoricamente qualquer envolvimento do serviço secreto do Reino Unido na morte da princesa Diana.
O deputado trabalhista Dari Taylor, membro do comitê encarregado de supervisionar os serviços de inteligência do Governo, pediu a suspensão da investigação.
“Compreendo a dor do senhor Al-Fayed, mas tem que aceitar em algum momento que ninguém esteve envolvido na morte de seu filho e da princesa Diana, que foi um simples acidente. (…) Não houve conspiração alguma”, afirmou Taylor.
Denis MacShane, ex-secretário de Estado do Ministério de Assuntos Exteriores, acusou Al-Fayed e a sua equipe de defesa de “chegar muito longe”.
“Obrigar servidores deste país, cujas identidades deveriam ser protegidas, a comparecer nesta farsa representa uma ameaça para sua segurança individual”, afirmou o político trabalhista.
Segundo ele, trata-se de “um abuso desprezível das leis britânicas e um desperdício escandaloso do dinheiro público”.
O comparecimento de vários funcionários do MI6 em atividade no tribunal encarregado da investigação exigirá medidas especiais para impedir a identificação desses agentes.
Os dez, que serão citados apenas por um número ou uma letra, prestarão depoimento protegidos pelo anonimato, e os meios de comunicação e o público só poderão escutar seus testemunhos mediante áudio.
A investigação em torno da morte de Diana e Dodi al-Fayed começou há três anos, e desde então o processo custou 6 milhões de libras (mais de 8 milhões de euros) ao erário público.