Um importante deputado iraniano advertiu hoje que o Irã poderia abandonar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) se Ocidente persistir em sua atitude e considerar a possibilidade de impor novas sanções.
Uma delegação iraniana se reunirá amanhã na Suíça com representantes do grupo integrado por EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha, a fim de tentar retomar o diálogo sobre o programa nuclear iraniano, após 14 meses de interrupção.
“Se o grupo continuar utilizando a linguagem da força para tentar encurralar o Irã e falar de mais sanções, talvez não tenhamos outro remédio do que abandonar o diálogo”, disse Hassan Ghafourifard, em declarações à televisão nacional “PressTV”.
“Esse seria o primeiro passo, talvez sair das negociações com o grupo. Mas, se as coisas vão de mau a pior, então talvez devamos tomar outras medidas, como nos retirar do Tratado de Não-Proliferação”, advertiu na entrevista, cujos trechos foram publicados hoje pelo site da TV.
O encontro de amanhã, em Genebra, foi abalado pela denúncia, na semana passada, de que o Irã começou a construir “de maneira clandestina” uma nova unidade de enriquecimento de urânio sob uma colina ao sudoeste de Teerã.
O regime iraniano nega que tenha agido em segredo, alega que informou à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) quatro dias antes da denúncia americana e afirma que escolheu essa localização para prevenir possíveis ataques.
Ghafourifard reiterou que a paciência do Irã “tem um limite. Discutimos este problema durante três ou quatro anos, e eles sempre nos exigiram parar o enriquecimento”.
“Se não querem entender nossa posição, que é a do enriquecimento de urânio para fins pacíficos, então talvez não faz sentido continuar no Tratado de Não-Proliferação”, reiterou.