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Mundo

Depois de polêmica com Peru, Governo do Chile diz que não espiona

Arquivo Geral

15/11/2009 0h00

O Governo do Chile foi categórico ao assegurar hoje que “não espiona” após as acusações do Peru de ter obtido segredos de Estado sobre aquisição de armas por meio de um suboficial da Força Aérea Peruana (FAP).

“Queremos ser muito claros, o Chile não espiona. O Chile é um país sério em suas relações internacionais, atuamos com critério de transparência e assim é reconhecido no mundo todo”, destacou neste sábado a ministra secretária-geral do Chile, Carolina Tohá, no palácio de La Moneda.

“Somos serenos, mas também firmes, e o Chile não tem nada a esconder”, enfatizou Tohá.

A ministra descartou a convocação do embaixador chileno em Lima para consultas e afirmou que “é preciso ser cauteloso”.

O ministro da Defesa do Peru, Rafael Rey, destacou hoje que o caso de espionagem, supostamente financiado pelo Chile, foi confirmado.

“Se trata efetivamente de um fato de espionagem aparentemente financiado pelo Chile, segundo o depoimento do próprio”, disse Rey à rádio chilena “Cooperativa” em referência a Víctor Ariza Mendoza, o suboficial da FAP que disse ter sido o responsável por obter as informações.

O ministro das Relações Exteriores chileno, Mariano Fernández, disse em Cingapura, durante a Cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, na sigla em inglês), que o Chile não tem, “como Governo, uma informação oficial em um tema delicado como este e, portanto, não vamos comentá-lo”.

A presidente chilena, Michelle Bachelet, viajará de Cingapura para Roma para participar da Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês).

Já seu colega peruano, Alan García, não participará da cúpula da Apec e chamou para consultas o embaixador de seu país em Santiago, Carlos Pareja, antes de retornar a Lima na segunda-feira.

García tinha programado se reunir neste sábado com Bachelet e com o presidente do México, Felipe Calderón, mas seu repentino retorno levou ao cancelamento dos encontros.

O chanceler peruano, José García Belaúnde, declarou à imprensa local que também foi cancelada a visita que a ministra da Produção peruana, Mercedes Aráoz, faria a Santiago na semana que vem.

A notícia da espionagem foi divulgada nesta quinta-feira pela rádio “Programas del Perú”, segundo a qual espião é o suboficial de inteligência da FAP Víctor Ariza Mendoza.

Os veículos de comunicação peruanos lembram que o suboficial pode ser acusado de traição à pátria, crime punido no Peru com prisão perpétua em tempos de paz e pena de morte em caso de guerra.

O senador Sergio Romero, membro da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento peruano, criticou o Executivo e o Ministério das Relações Exteriores pela forma de enfrentar a situação e disse que tiveram “uma atitude passiva”.

O ex-ministro das Relações Exteriores peruano Ignacio Walker lembrou que a denúncia de suposta espionagem ocorre em meio à aprovação da compra de armamento americano pelo Chile.

“Eu acho que tem muito a ver. Sabemos que, há vários meses, o Peru está empenhado em chamar a atenção da comunidade internacional por causa da suposta corrida armamentista”, declarou Walker à rádio “Cooperativa”.

O processo apresentado pelo Peru contra o Chile na Corte Internacional de Justiça de Haia em uma disputa por limites territoriais marítimos também foi relacionado ao suposto caso de espionagem.

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