FOLHAPRESS)
A mudança de gestão do TikTok nos EUA, agora controlado por um grupo de investidores próximos ao presidente americano Donald Trump, e denúncias de uma suposta censura pró-governo impulsionaram um recém-fundado concorrente australiano.
O UpScrolled, lançado no ano passado, tornou-se, nesta terça-feira (27), o aplicativo de rede social mais baixado nos Estados Unidos entre usuários de iPhone, de acordo com a empresa de análise de dados Sensor Tower -no geral, só está atrás do ChatGPT. A procura também cresceu na Play Store, do Google, onde o app está na 11ª posição geral.
A migração para a rede social australiana foi puxada por usuários que denunciam a demora do TikTok para publicar vídeos sobre o assassinato do enfermeiro Alex Pretti, 37, por agentes federais enviados pelo governo Trump.
O TikTok nega as acusações, justificando a lentidão por uma falha em seus servidores.
A jornalista americana de tecnologia Taylor Lorenz foi uma das vozes que impulsionou o app australiano. “Testanto esse app maneiro que promete não censurar conteúdo pró-Palestina”, ela escreveu sobre o UpScrolled.
O fundador da rede, Issam Hijazi, um australiano de origem palestina e jordaniana, diz que o objetivo de sua plataforma é promover “liberdade de expressão” garantindo que “cada postagem tem uma chance justa de ser vista.”
O UpScrolled permite compartilhamento de conteúdo em texto, imagem e vídeo. Segundo a Sensor Tower, o aplicativo, baixado 5.000 vezes em dezembro, apresentou uma média de 14 mil downloads por dia nos últimos cinco dias.
A procura foi tamanha que os servidores da plataforma apresentam instabilidade desde segunda-feira (26). “Frustrante? Sim. Emocionante? Sim também. Nós somos um time pequeno construindo o que as big techs deixaram de ser. Agora, estamos aumentando a escala de cafeína para manter o que vocês começaram”, disse a empresa em publicação no X.
Em um acordo selado sob as bençãos de Trump, uma empresa de controle majoritário americano assumiu, no último dia 22, o controle sobre a operação do TikTok nos Estados Unidos. O acordo inclui o gigante da computação em nuvem Oracle, cujo presidente Larry Ellison é um dos principais cabos eleitorais de Trump no Vale do Silício.