A delegação governamental foi hoje à Amazônia, zona do protesto desde segunda-feira passada, para se reunir com representantes dos indígenas.
O encontro com os indígenas Shuar e Achuar aconteceu na localidade de Sucúa, na província de Morona Santiago.
Miguel Carvajal, ministro coordenador de Segurança Interna e Externa, que liderou a delegação oficial, disse que o Governo cumpriu com o oferecido antes do encontro, isto é, receber as exigências da nacionalidade e construir uma agenda de diálogo.
Os indígenas entregaram à delegação um documento onde detalham seis pontos da petição que fazem ao Governo, nos quais se tratam diversos temas e necessidades da comunidade.
Carvajal explicou que a maioria desses pontos são convergentes com a política do Governo: proteção de recursos naturais, reconhecimento da territorialidade indígena, consolidação do atendimento em saúde, educação, entre outros pontos.
“Parece-me que houve uma atitude positiva”, disse o secretário de Estado, acrescentando que o Governo está aberto ao diálogo e à consolidação dos mecanismos de convivência emoldurados na Constituição do Estado, informou a Presidência em seu portal de internet.
Sobre as exigências dos indígenas, Doris Soliz, secretária de Povos e Movimentos Sociais, disse que o Governo está trabalhando em cinco deles. “Não tivemos problema em nos comprometer a aprofundá-los”.
No entanto, sobre o pedido feito pelos indígenas de não extrair recursos como o petróleo ou a mineração das províncias de Pastaza e Morona Santiago, Doris explicou é um tema mais global que será tratado no marco da Constituição vigente.
Doris qualificou o diálogo como “produtivo”, enquanto o presidente, Rafael Correa, assegurou hoje que na próxima segunda-feira se reunirá no palácio de Carondelet, sede do Executivo, em Quito, com dirigentes da Conaie para dialogar.
A Conaie convocou, desde a meia-noite do domingo passado, para um levantamento ou greve indígena em todo o país contra o projeto de Lei de Recursos Hídricos, por considerar que esse corpo legal poderia dar passagem à privatização da água.
Correa insistiu hoje em que não se pretende privatizar a água e destacou que a atual Constituição proíbe expressamente essa possibilidade.
Os protestos indígenas, concentrados na província amazônica de Morona Santiago, deixaram um indígena shuar morto e cerca de 40 policiais feridos.
Correa destacou hoje que a Polícia foi “desarmada” a Morona Santiago para controlar os protestos, por isso que descartou responsabilidades dessa instituição na morte do indígena.