As delegações dos Estados Unidos e da União Europeia (UE) se retiraram nesta quinta-feira (22) do plenário da Assembleia Geral da ONU durante o discurso do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, bastante crítico a Washington e ao Holocausto.
Ahmadinejad classificou os EUA e as demais potências ocidentais de “poderes arrogantes”, que defendem os totalitarismos e causam as desigualdades sociais e a recessão econômica global. Dilplomatas franceses disseram que as palavras do iraniano foram inaceitáveis na tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas e, portanto, França e seus parceiros europeus deixaram o plenário.
Outras fontes diplomáticas europeias disseram à Efe que havia um acordo para saírem da sala se Ahmadinejad ultrapassasse alguma linha vermelha, como ocorreu quando negou a existência do Estado de Israel. O mesmo fez a delegação americana quando escutou que o presidente iraniano acusava os EUA de ter utilizado os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, que rotulou de misteriosos, para lançar as guerras do Iraque e Afeganistão.
“Quando no ano passado investigaram os elementos ocultos do 11/9, meu país e eu fomos pressionados e ameaçados pelo Governo dos Estados Unidos”, acrescentou o presidente do Irã.
Ele disse ainda que em vez de designar uma equipe de investigação, os Estados Unidos mataram o mentor da ação e lançaram seu corpo ao mar, em relação à morte do autor intelectual desses ataques e líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, e nos quais morreram quase 3 mil pessoas.
Durante seu discurso Ahmadinejad, sem mencionar o nome dos Estados Unidos diretamente, acusou o país pelo passado de escravidão, por ter imposto o colonialismo durante décadas, assim como por ter desencadeado os grandes conflitos do século 20, desde as grandes guerras mundiais aos conflitos da Coreia e do Vietnã e de impor o sionismo. Suas acusações incluíram os países europeus, sobre os quais disse que, junto com os EUA, eram responsáveis pela recessão econômica mundial.
“A maioria dos Governos e nações do mundo não tiveram papel algum nas atuais crises econômicas globais e são vítimas dessas políticas”, assinalou.
Ahmadinejad atacou os países da Europa ao assinalar que em alguns deles, após seis décadas, ainda utilizam o Holocausto como desculpa para pagar aos sionistas.
Em defesa dos americanos saiu o porta-voz da missão dos EUA diante da ONU, Mark Kornblau. Ele assinalou que Ahmadinejad, ao invés de abordar as aspirações de liberdade e dignidade de seu próprio povo, preferiu fazer os comentários antissemitas e falar de suas desprezíveis teorias da conspiração.
“Enquanto Ahmadinejad falava na ONU, a dissidência é esmagada sem compaixão no Irã e os direitos básicos que milhões de pessoas pedem no mundo árabe são negados aos iranianos”, afirmou Philippe Bolopion, responsável das Nações Unidas na organização defensora dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW).
Bolopion considerou que os líderes mundiais deveriam tomar esses comentários como a gota d’água procedendo de um líder que não disse nada da execução na quarta-feira (21) em seu país de um jovem de 17 anos, assistida por mais de 10 mil pessoas.
Os outros dois envolvidos foram condenados a três anos de prisão e a 80 chicotadas, respectivamente, pelo consumo de álcool.
Pelos dados da organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional, o Irã é, com mais de 300 enforcamentos ao ano, o segundo país do mundo com o maior número de execuções, atrás apenas da China.