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Mundo

Delegação da OEA prepara missão em Honduras

Arquivo Geral

02/10/2009 0h00

Uma delegação da Organização dos Estados Americanos (OEA) chegou hoje a Honduras para preparar a visita da missão de chanceleres na próxima semana, enquanto legisladores americanos e setores sociais fazem gestões para destravar a crise política vivida no país.

Nas ruas, os seguidores do presidente deposto, Manuel Zelaya, voltaram a se concentrar em frente à embaixada dos Estados Unidos em Tegucigalpa, de onde foram dispersados à força, quase simultaneamente à chegada de uma missão da OEA ao país.

O assessor do secretário-geral da OEA, John Biehl, disse a jornalistas que a missão preparará os detalhes da viagem da delegação de “aproximadamente dez chanceleres” que chega a Tegucigalpa no dia 7 de outubro.

“Acho que estamos em uma fase em que as coisas vão começar a melhorar em todos os sentidos”, afirmou Biehl, ao ressaltar que “o acompanhamento da missão de chanceleres vai ser fundamental para dar confiança e fé às partes”, em um momento em que “está tudo muito bem encaminhado”, disse.

“Há muitíssima boa vontade de ambas as partes para ter um diálogo realmente hondurenho, um diálogo que não seja uma estratégia dilatória de ninguém”, manifestou.

Nesse sentido, disse que o Acordo de San José, impulsionado pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias, “pode ser uma pauta de trabalho” e de “começo” para um diálogo que faz parte de uma “nova etapa”.

Biehl, o único dos cinco integrantes da missão da OEA que pôde entrar em Honduras no fim de semana passado, finalizou hoje seu trabalho com diferentes atores da crise hondurenha, tarefa que será continuada pela missão do organismo.

Também na busca pelo diálogo sobre a crise política hondurenha, gerada pelo golpe de Estado que tirou o presidente Manuel Zelaya do poder no dia 28 de junho, foi realizada hoje, em Tegucigalpa, uma reunião entre legisladores republicanos dos EUA com o governante de fato de Honduras, Roberto Micheletti, e outros setores.

O senador Jim DeMint e os congressistas republicanos Doug Lamborn, Aaron Schock e Peter Roskam se reuniram na Casa Presidencial com os 15 magistrados da Suprema Corte de Justiça, as autoridades máximas do Tribunal Superior Eleitoral e três dos seis candidatos à Presidência, entre outros.

Na reunião com os legisladores republicanos dos EUA, os candidatos presidenciais de Honduras expressaram sua preocupação com o processo das eleições gerais previstas para 29 de novembro e as dúvidas da comunidade internacional sobre a legitimidade do pleito.

“Explicamos que o processo eleitoral é uma solução, não é parte do problema”, disse a jornalistas o candidato do opositor Partido Nacional, Porfirio Lobo, ao ressaltar “o erro que se comete de querer debilitar o processo eleitoral”.

A comunidade internacional advertiu que não reconhecerá o Governo que surgir das próximas eleições se Zelaya não for restituído no poder antes do pleito de novembro.

O candidato do governante Partido Liberal, Elvin Santos, disse que foram “muito claros” em que o “compromisso é proteger o direito que o povo tem de concorrer ao processo eleitoral”.

Acrescentou que atualmente são realizados “sete diálogos” para buscar uma saída política negociada à crise vivida em Honduras, dos quais citou a Igreja Católica e a OEA como atores.

A resistência popular que exige a restituição de Zelaya, representada hoje por centenas de manifestantes, não pôde se concentrar em frente à embaixada dos EUA porque foi impedida pela Polícia.

“Os policiais nos desalojaram, nossa manifestação era pacífica”, disse à Agência Efe o coordenador da Frente Nacional de Resistência contra o golpe de Estado, Juan Barahona, ao assinalar, no entanto, que não houve detidos nem feridos, apesar do estado de sítio decretado no país desde o sábado passado.

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