Menu
Mundo

Defesa diz que torturador Duch é vítima do Khmer Vermelho

Arquivo Geral

26/11/2009 0h00

O torturador chefe do Khmer Vermelho, Kaing Guek Eav, conhecido como Duch, foi outra vítima de um regime culpado pela morte de 1,7 milhão de pessoas e não o criminoso como apresentou a promotoria, afirmou hoje o advogado francês François Roux no tribunal internacional que julga o genocídio cambojano.

Roux afirmou que seu cliente “teve de escolher entre matar ou que lhe matassem” e que o delito é um “crime de obediência”.

O defensor rebateu assim os argumentos da acusação pública e privada e indicou que o acusado estava a serviço da organização comandada por Pol Pot, que não era um alto cargo e não pertencia à cúpula do poder.

“Duch era o subordinado de San Sen e não se pode desconsiderar isso. O S-21 era dirigido por San Sen e controlado pelo comitê permanente do partido”, apontou Roux.

O acusado coordenou o centro de detenção de Tuol Sleng, em Phnom Penh, por onde passaram milhares de pessoas acusadas de trair o regime para ser interrogadas, torturadas e executadas.

Conforme Roux, Duch declarou inocência. Roux solicitou aos juízes que levem em conta atenuantes como o fato de ele assumir as responsabilidades, o arrependimento e a cooperação com a promotoria.

O advogado francês rejeitou o pedido do promotor de uma pena de 40 anos por considerá-la uma condenação de prisão perpétua, diante dos 66 anos do acusado.

Ao contrário do que fez seu colega Kar Savuth, o outro defesor, que questionou a jurisprudência do tribunal, Roux não chegou a pedir a libertação de Duch.

Ressaltou que Duch leva 30 anos privado de liberdade, somados os períodos em que passou escondido com o tempo que está detido pelo tribunal, e lembrou casos parecidos como o do nazista Albert Speer que, após assumir sua responsabilidade, recebeu condenação de 20 anos pelo Tribunal de Nuremberg.

O advogado francês apelou aos juízes, três cambojanos e dois estrangeiros, por um julgamento justo, que a sentença deve ter ser um castigo, mas também uma reabilitação.

“O transformaram em um monstro. Por acaso ele é Pol Pot? Duch morreu. Hoje seu nome é Kaing Guek Eav. Já não é o Duch revolucionário”, encerrou o advogado.

A intervenção de Roux revelou contradições entre os dois defensores até o ponto que o francês admitiu “desacordos”.

Duch confessou durante seu julgamento que, como diretor de Tuol Sleng, ordenou execuções, torturas a prisioneiros e cometeu os outros crimes que constam do processo, e também pediu perdão às vítimas em uma clara demonstração de arrependimento.

O discurso do advogado francês, que participou da defesa no tribunal internacional organizado para o genocídio de Ruanda e que se incorporará ao Tribunal Especial para o Líbano, fecha a apresentação dos argumentos finais e deixa o julgamento à espera da sentença.

A sentença deverá ser anunciada no início do próximo ano pelas Câmaras Extraordinárias nas Cortes do Camboja, o nome oficial do tribunal internacional.

Duch é o ex-oficial de menor categoria do Khmer Vermelho que será julgado pelo tribunal organizado pela ONU e Camboja após longas e demoradas negociações que começaram em 1997.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado