A normalização das relações entre os Estados Unidos e a Venezuela deu um novo passo nesta quinta-feira (30) com o primeiro voo comercial direto entre os dois países em sete anos.
Executivos, representantes do governo americano e uma multidão de jornalistas estavam a bordo do voo 3599 da Envoy Air, subsidiária da companhia American Airlines, que decolou de Miami com destino a Caracas com um ligeiro atraso, às 10h26, horário local (11h26 no horário de Brasília), constatou um jornalista da AFP.
O pouso estava previsto no aeroporto Simón Bolívar, em Maiquetía, às 13h36 locais (12h36 em Brasília).
Após a queda de Nicolás Maduro em uma intervenção militar americana em janeiro, Washington decidiu, com a presidente interina, Delcy Rodríguez, restabelecer as relações diplomáticas rompidas em 2019.
A embaixada dos Estados Unidos em Caracas retomou suas atividades no fim de março, enquanto a Venezuela voltou a assumir o controle de sua representação em Washington. O presidente americano Donald Trump está flexibilizando gradualmente as sanções contra a Venezuela.
Caracas reformou suas leis de hidrocarbonetos e de mineração, para abrir espaço ao capital privado em um país que possui as maiores reservas de petróleo do mundo.
No entanto, o Departamento de Estado desaconselha os cidadãos americanos a viajarem para a Venezuela, país classificado no nível 3 em uma escala de 4, “devido aos riscos relacionados à criminalidade, aos sequestros, ao terrorismo e à insuficiência das infraestruturas de saúde”, segundo o último aviso de viagem, datado de 19 de março.
Um voo diário
A American Airlines planeja operar com aviões comerciais Embraer 175 entre Miami e Caracas por meio da Envoy Air. Inicialmente haverá um voo diário de ida e volta, e está previsto um segundo voo por dia a partir de 21 de maio, segundo a companhia.
Miami e seus arredores abrigam uma importante comunidade da diáspora venezuelana.
A Envoy Air apresentou em 13 de fevereiro um pedido para retomar as conexões entre Miami e Caracas, que foi aprovado pelo governo dos Estados Unidos em março. A autorização, que também prevê voos para a cidade de Maracaibo, tem duração de dois anos.
A American Airlines iniciou suas conexões com a Venezuela em 1987 e afirmava ser a maior companhia americana a operar no país antes da suspensão dos voos em 2019.
Para marcar o acontecimento, veículos de comunicação e representantes dos Departamentos de Estado e de Transporte, da cidade de Miami e das companhias aéreas, assim como o embaixador da Venezuela nos Estados Unidos, Félix Plasencia, foram convidados na manhã desta quinta-feira ao portão de embarque D55.
Agence France-Presse