A decisão da Suprema Corte do Chile sobre a extradição do ex-presidente peruano Alberto Fujimori será anunciada só a partir do próximo dia 20, dosage segundo informou hoje uma fonte oficial do máximo tribunal chileno.
A resolução foi votada nesta segunda pelos cinco juízes que integram a Segunda Sala Penal do Supremo, que decidiram manter o teor da declaração em segredo até que a mesma esteja completamente redigida, tarefa que ficou sob responsabilidade do presidente do tribunal, Alberto Chaigneau.
A decisão dos juízes deu início a especulações no Chile e no Peru sobre o conteúdo da decisão judicial. A expectativa dos meios de comunicação também é grande, com jornalistas permanentemente em alerta na sede do Supremo chileno, no centro de Santiago.
Após conversar hoje com os magistrados da Segunda Sala Penal, o diretor do Departamento de Imprensa do Poder Judiciário, Christian Fuenzalida, disse que a decisão judicial não será divulgada esta semana.
Fujimori, que chegou ao Chile em novembro de 2005 saído do Japão, é requerido pela Justiça peruana para ser julgado por dez supostos crimes de corrupção e dois de violações dos direitos humanos.
Em uma decisão judicial de primeira instância, em 11 de julho último, o juiz Orlando Álvarez rejeitou a extradição, por considerar insuficientes as provas apresentadas com relação à participação de Fujimori nos delitos de que é acusado.
Em seu ditame, Álvarez omitiu um relatório favorável à extradição de Fujimori, emitido em junho pela promotora da Corte Suprema, Mónica Maldonado.
Em declarações publicadas hoje pelo jornal “La Tercera”, Maldonado afirmou estar confiante no fato de que a Segunda Sala Penal possa, enfim, receber favoravelmente seus argumentos jurídicos e se pronunciar a favor da extradição.
“Estou tranqüila e confiante de que meus argumentos serão respaldados pela Corte Suprema. Eu, em uma análise profundamente jurídica, concluí que a solicitação deve ser acolhida, tanto pelos crimes financeiros como pelos de lesa-humanidade”, declarou.
Fujimori aguarda a decisão judicial sob prisão domiciliar em uma mansão que arrendou nos arredores de Santiago, onde há alguns dias conta com a companhia da filha Sashi.
Segundo pessoas próximas ao ex-líder peruano, este se encontra tranqüilo e realizando suas tarefas cotidianas, que incluem contatos telefônicos e videoconferências com amigos e colaboradores no Peru e no Japão, além de hobbies como culinária e jardinagem.