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Cúpula rebelde se divide perante eventual acordo com Kadafi

Arquivo Geral

08/03/2011 21h00

A cúpula rebelde líbia deixou transparecer nesta terça-feira diferenças com seu líder, Mustafa Abdel Jalil, sobre uma eventual negociação para que o coronel Muammar Kadafi abandone o país em troca de não ser perseguido judicialmente.

 

O membro do conselho de informação do Conselho Nacional de Transição Interino (CNTR), Bara al-Khatib, declarou nesta terça-feira à Agência Efe que se Kadafi deixasse a Líbia, o conselho estava disposto a renunciar à emissão de qualquer ordem judicial contra si.

 

Al-Khatib confirmava assim, uma informação divulgada pela emissora “Al Jazeera” e antecipada pelo jornal “Sharq al Awsat”, segundo qual, o regime tinha tido conversas sobre essa questão com os líderes rebeldes.

 

No entanto, nesta amanhã, o vice-presidente e porta-voz do CNTR, Abdelhafiz Ghoga, após falar com vários membros do conselho e evidentemente irado, decidia, sem prévio anúncio, dirigir-se ao povo que nesse momento se encontrava na praça dos Julgados de Benghazi, onde se encontra a sede da administração opositora, para desmentir as supostas negociações.

 

“Não há diálogo e não há nada chamando uma saída segura do país”, disse Ghoga, em referência às conversas, perante as pessoas que se concentravam na praça sob a chuva e que ao longo do discurso somaram 500 pessoas.

 

Ghoga ressaltou: “Não daremos marcha ré, não há rendição. Não há diálogo” e se questionou: Quem vai permitir (a Kadafi) uma saída segura?

 

Após seu discurso prometeu uma entrevista coletiva para as 16h do horário local (às 11h do horário de Brasília), com o objetivo de explicar a situação à imprensa.

 

No entanto, uma hora antes do comparecimento de Ghoga perante a imprensa, Mustafa Jalil, em entrevista telefônica com a “Al Jazeera” de Al Baida, ao norte de Benghazi, mostrava sua disposição a renunciar à perseguição judicial de Kadafi se este abandonar o país nas próximas 72 horas.

 

“O conselho não ofereceu nem apresentou nenhuma iniciativa, nem pretende apresentar nenhuma, nem manter um diálogo desse tipo porque a situação está clara para o conselho: as exigências de nossa revolução, da revolução de nosso povo são claras, nós não dialogamos”, respondia Ghoga na entrevista coletiva minutos depois.

 

Além disso, Ghoga ressaltou que não tinha contato de nenhum tipo entre os revolucionários e o regime e que ninguém podia renunciar às exigências do povo.

 

Apesar destas claras divergências, Ghoga tentou diminuir a tensão, assegurando que não existiam divergências entre Jalil l e o conselho e insistiu que todos desejavam o mesmo.

 

Segundo Ghoga, o presidente do CNTR queria expressar a necessidade de se deter o derramamento de sangue.

 

Estes atritos, entre o conselho e seu presidente não são novos e se remontam inclusive até antes da formação deste órgão, quando no dia 26 de fevereiro Jalil anunciou que ele presidiria um Governo de união nacional e que se realizariam eleições em três meses.

 

Um dia depois, Ghoga desmentia as palavras de Jalil, que ocupou o cargo de ministro da Justiça desde janeiro de 2007 até o começo dos conflitos contra o regime no dia 16 de fevereiro, quando renunciou em protesto pela repressão das manifestações.

 

Ghoga anunciou no dia 27 de fevereiro a intenção do então principal órgão revolucionário, a Coalizão da Revolução do dia 17 de fevereiro, de criar um Conselho Nacional Revolucionário Transitório, mas não um Governo e não fez menção nenhuma ao ex-ministro de Kadafi.

 

Mas no dia 2 de março, Ghoga surpreendia a todos anunciando que Jalil presidiria o CNTR e que ele mesmo se transformava no porta-voz e vice-presidente de dito conselho que aspira a ser reconhecido internacionalmente como o único representante político do povo líbio.

 

Esta situação volta a evidenciar a falta de coesão do recente criado comando revolucionário. Uma carência que se estende aos comandantes do Exército e às milícias rebeldes que tentam dobrar às brigadas do coronel Kadafi

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