A cúpula, que termina amanhã, foi inaugurada pelo emir do Kuwait, Sabah al-Ahmed al-Jaber al-Sabah, com um discurso no qual enumerou os assuntos principais que serão abordados no encontro e dos quais esteve ausente qualquer menção à atual crise financeira de Dubai.
Diante de seus colegas de Arábia Saudita, Barein, Emirados Árabes Unidos, Omã e Catar, o emir do Kuwait se referiu, entre outros aspectos, à tensão entre Arábia Saudita e Iêmen, ao polêmico programa nuclear iraniano, aos últimos episódios de violência no Iraque. De maneira muito veemente falou, ainda, sobre a desunião que ultimamente afeta o movimento palestino e à estagnação do processo de paz no Oriente Médio.
Neste sentido, Al-Sabah disse que os estados do CCG contemplam “com grande pena e sofrimento o desacordo entre os irmãos palestinos, que está conduzindo-os a destruir sua unidade”.
Esse sofrimento, acrescentou o emir do Kuwait, “está sendo aproveitado por Israel para reforçar sua obstinação e vangloriar-se ao mesmo tempo de limitar todos os esforços em favor da consecução de uma paz justa, global e permanente.”
“Reiteramos nossa chamada a nossos irmãos nos territórios árabes ocupados para que deixem suas disputas de lado e depositem o máximo empenho na complexa tarefa de servir a sua justa causa para assegurar a unidade de suas terra, o restabelecimento dos direitos do povo palestino e o estabelecimento de um Estado independente com Jerusalém como capital”, disse o emir.
Al-Sabah afirmou que os Estados do CCG renovam seu pedido à comunidade internacional para que assuma sua responsabilidade na questão “e pressione Israel para uma retirada completa dos territórios árabes ocupados, para que cessem a construção de novos assentamentos e as ameaças à Mesquita de al-Aqsa”, em Jerusalém, o terceiro lugar mais sagrado do Islã.
Sobre a crise fronteiriça entre Arábia Saudita e Iêmen, o emir do Kuwait condenou “a agressão” cometida por alguns “dos infiltrados” com o objetivo de danificar “a soberania e a segurança” do reino wahhabista.
Al-Sabah declarou palavras de encorajamento para o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, a quem encorajou a manter sua linha de atuação “para que prevaleçam a segurança e a estabilidade”.
Sobre os episódios de violência no Iraque, Al-Sabah reiterou a “firme condenação e reprovação” em nome do CCG e pediu ao Governo iraquiano que trabalhe e se esforce em prol da unidade do país, sua estabilidade e segurança.
“Temos grandes esperanças na continuidade do processo político no Iraque, com a realização de eleições parlamentares em um clima democrático e de estabilidade, com o objetivo de alcançar a segurança e o desenvolvimento econômico do povo iraquiano”, disse o emir.
À espera do que será acordado definitivamente após a reunião a portas fechadas desta noite entre líderes do CCG, por enquanto, Omã e Emirados Árabes Unidos poderiam ficar de fora da união monetária, que foi estipulada ontem pelos ministros de Finanças dos países-membros, para que seja formalizada na cúpula de chefes de Estado.
O secretário-geral do CCG, Abdulrahman Al Attiyah, afirmou que a união monetária é o passo prévio necessário para a criação do Banco Central da zona, ente que regulará suas políticas econômicas e monetárias, e da própria moeda única.