Os grupos do exílio cubano em Miami reagiram hoje com serenidade e ceticismo perante a notícia da renúncia de Fidel Castro aos cargos de chefe de Estado e comandante-em-chefe da revolução.
Em contraste com o alvoroço causado há ano e meio quando foi anunciada a grave doença de Fidel Castro e sua renúncia temporária ao poder, hospital as ruas da Pequena Havana em Miami amanheceram hoje com tranqüilidade e sem reações populares.
O café Versalhes na Rua Oito é hoje o centro de reunião dos cubanos do exílio. Eles se expressam com serenidade e com uma opinião unânime: não esperam grandes mudanças em Cuba.
“É o final de uma era, a era de Fidel Castro, mas não é o final do castrismo, porque Raúl Castro representa o continuismo”, disse à Agência Efe Tony Alfonso, um ex-professor de escola em Cuba de 70 anos.
“Raúl Castro fará pequenas mudanças para se manter no poder. Mas só se pode esperar pouquíssimas mudanças que chegarão demais tarde”, disse Alfonso às portas do Versalhes.
A imprensa de Miami mantém hoje uma programação dedicada quase exclusivamente a analisar as repercussões da renúncia de Fidel ao poder e à espera da confirmação de que será Raúl Castro quem assumirá plenamente o cargo de chefe de Estado.
A opinião mais generalizada entre os cidadãos e alguns representantes do exílio e analistas é a de que o castrismo continuará sem mudanças.
“É preciso esperar medidas mínimas de Raúl Castro para acalmar a população, mas não se podem esperar mudanças reais e estruturais”, disse hoje o professor da Universidade de Miami Jaime Suchlicki.
O especialista acrescentou que, ao contrário de esperar uma abertura com a ascensão plena ao poder de Raúl Castro, pode haver uma tendência a uma maior repressão para evitar reações populares que reivindiquem mudanças.