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Mundo

Cuba reduz ajuda à população para atenuar crise em 2009

Arquivo Geral

08/12/2009 0h00

O Governo do general Raúl Castro reduziu em 2009 a distribuição de alimentos aos cubanos, diminuiu o consumo de energia e freou o pagamento de dívidas, enquanto optou por dar prosseguimento a sua política de direitos da população.


“As despesas na esfera social devem estar em consonância com as possibilidades reais, e isso significa abrir mão daquelas em que se é possível abrir mão”, disse Raúl em agosto, após o agravamento da recessão em Cuba.


Segundo dados oficiais, o comércio exterior de bens caiu 36% nos primeiros nove meses do ano, houve um desabe dos preços dos principais produtos de exportação, como o níquel, e a renda gerada pelo turismo diminuiu 12%.


O ano começou mal para os cubanos em razão das sequelas de três furacões que arrasaram a ilha em 2008 e deixaram um prejuízo de US$ 10 bilhões, além do bloqueio econômico imposto há meio século pelos Estados Unidos, e que o novo governante americano, Barack Obama, não parece por enquanto interessado em encerrar.


Além dessas catástrofes, a maioria dos analistas e diplomatas consultados pela Agência Efe culpa o Governo cubano pela baixa produtividade e eficiência no país, outro fator determinante para a crise interna.


A falta de liquidez levou Raúl Castro a restringir a partir de maio passado o consumo de energia elétrica, até mesmo fechando empresas estatais que não cumpriram a ordem de economizar, e a reduzir o fornecimento de mantimentos da cartilha de racionamento, que normalmente não chega a cobrir um terço das necessidades da população.


O presidente declarou assunto de “segurança nacional” a produção de alimentos na ilha, que chegou a importar mais de 80% do consumido por seus 11,2 milhões de habitantes, enquanto mantinha a metade de suas terras cultiváveis sem produzir.


O corte na distribuição de alimentos à população foi justificado pelo Governo como o fim do “paternalismo” e o “igualitarismo”.


“Nenhum Estado pode distribuir o que não tem”, disse recentemente a manchete do jornal “Granma”, porta-voz do Partido Comunista, que ainda tem Fidel Castro como primeiro-secretário, apesar de três anos e meio longe dos holofotes.


A frase é de Fidel, de um discurso em 1986, mas o “Granma” a destacou para defender a política de Raúl, que quer reduzir o que chama “excesso de gratuidades e subsídios”.


“Gratuidades”, “subsídios”, “igualitarismo” e “paternalismo” que antes eram orgulho do sistema criado por Fidel – quando os cubanos eram financiados pelo bloco soviético – e que foram exaltados pela mesma imprensa que agora os ataca.


Além disso, sem qualquer declaração pública de moratória, o Governo cubano deixou de cumprir boa parte de suas obrigações com outros países e com fornecedores.


Segundo fontes do Governo espanhol, por exemplo, em outubro passava de 600 milhões de euros a dívida atrasada com fornecedores comerciais do país, sem contar as retenções de divisas em contas bancárias cubanas de investidores e outros setores.


O economista dissidente Oscar Espinosa, preso político libertado por razões de saúde, prevê “uma piora da problemática econômico-social, com sérias implicações negativas adicionais para o já deteriorado nível de vida da população”.


Enquanto isso, na política, houve revezamentos de personagens secundários como o ex-vice-presidente Carlos Lage, mas nada substancial mudou, diz a maioria dos analistas consultados, e o mesmo acontece no que diz respeito à falta de liberdades civis e democráticas.


 

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