O Governo cubano reduziu de 2,5% para 1,7% a expectativa de crescimento do país para 2009, no segundo corte anunciado de uma previsão inicial de 6%, ao mesmo tempo em que anunciou medidas “difíceis e nada agradáveis”, informou hoje a imprensa oficial.
O vice-presidente do Conselho de Ministros e titular de Economia e Planejamento, Marino Murillo, anunciou o novo ajuste em um relatório apresentado ao plenário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, liderado na quarta-feira pelo presidente do país, general Raúl Castro.
Segundo dados oficiais, o crescimento da economia caiu de 12,5% em 2007 para 4,3% em 2008, e a primeira redução para 2,5% da previsão para este ano foi tachada de “otimista” por economistas independentes.
O relatório assinala que 2010 “será igualmente difícil” para Cuba, e indica que a partir de agora se devem cumprir “premissas” econômicas como a “descentralização” dos produtos e serviços “que mais renda apresentam”.
Segundo o comunicado divulgado pelos meios de imprensa cubanos, Raúl Castro, segundo-secretário do Partido Comunista de Cuba – o primeiro é ainda seu irmão mais velho Fidel -, “alertou” sobre a importância que os cubanos compreendam que as medidas são “difíceis e nada agradáveis, mas simplesmente inadiáveis”.
O plenário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba também aprovou adiar indefinidamente seu VI Congresso, anunciado pelo presidente em 2008 para fins de 2009 e que deve adotar decisões cruciais para o futuro de Cuba, como a continuação de Fidel Castro como primeiro-secretário.
O general afirmou que o povo “sabe crescer diante das dificuldades” e ressaltou “a rápida e positiva reação” perante as medidas adotadas por seu Governo em junho passado para diminuir o consumo de energia.
Também apelou para o “estímulo ao debate e à saudável divergência” para encontrar as melhores soluções, e acrescentou que “o trabalho ideológico deve trazer argumentos sólidos, favorecer a troca de critérios e eliminar o supérfluo, e a simples repetição de palavras de ordem”.
Raúl insistiu em que “a frente econômica” é “essencial” para a segurança nacional, e destacou que a produção de alimentos é um assunto de “máxima prioridade” perante os altos preços do mercado mundial e “para estar em condições de enfrentar situações ainda mais complexas”.
Cuba atravessa uma das conjunturas econômicas mais graves do atual regime, que completou 50 anos em janeiro passado, devido às repercussões da crise financeira global e aos estragos de US$ 10 bilhões deixados em 2008 por três furacões que castigaram a ilha.
Neste sábado Raúl Castro presidirá uma sessão ordinária da Assembleia Nacional, durante a qual se espera o anúncio de novas medidas econômicas.