Os mercados agropecuários estatais de Havana receberam em janeiro apenas 60% dos alimentos esperados e 64% em fevereiro, revela hoje o jornal oficial “Granma”, e acrescenta que as reformas impulsionadas pelo presidente Raúl Castro no setor ainda não deram resultado.
O “Granma” assegura que a escassez de pesticidas e combustíveis “originou custosos danos” e que houve problemas de fornecimento e comercialização. Além disso, os agricultores opinam que as mudanças no setor “ainda não são beneficentes como o esperado”.
“Às vezes, o excesso de impedimentos e proibições são fontes para o crime e o suborno”, afirma o jornal, apontando excessos de burocracia, falta de coordenação e rigidez na produção e distribuição de alimentos.
Segundo o “Granma”, “há uma colocação quase geral dos produtores: acesso, sem degraus intermediários, aos mercados de Havana”.
O jornal diz que “é difícil entender” o desabastecimento quando houve medidas estratégicas, de reorganização e de controle do setor agropecuário adotadas nos últimos anos pelo Governo cubano.
Entre as causas do desabastecimento, o “Granma” aponta que os setores cooperativo e agrícola, responsáveis por 70% dos alimentos que chegam aos mercados agropecuários estatais, “não receberam no último trimestre de 2009 adubos e produtos químicos para proteger seus plantios”.
A atual crise cubana, a maior desde o fim da União Soviética, há duas décadas, forçou ao Governo cuba a reduzir as importações em um terço, principalmente as de alimentos, que cobriam 80% do que chegava às mesas dos cubanos.
As autoridades culpam o bloqueio econômico americano, em vigor desde 1962, os furacões que castigaram a ilha há dois anos e a crise financeira global, entre outros fatores.
Segundo o economista dissidente Oscar Espinosa Chepe, “as medidas econômicas tomadas isoladamente e cheias de contradições, em um contexto que torna seu funcionamento impossível, foram mais que insuficientes”.
“Os problemas continuam aumentando e a crise não tem tintas apenas econômicas e sociais, mas também tem o desgosto da população pela impactante piora do nível de vida”, diz Espinosa, um dos 75 opositores presos em 2003, agora libertado por razões de saúde.