O Governo de Raúl Castro considera “positivas”, mas de alcance “muito limitado” as últimas medidas em relação a Cuba anunciadas pelos Estados Unidos que, segundo Havana, “não modificam” a política de “bloqueio e desestabilização” contra a ilha.
“Estas medidas confirmam que não há vontade para mudar a política de bloqueio e desestabilização contra Cuba”, declarou neste domingo o Ministério das Relações Exteriores cubano, através de comunicado.
Havana também acredita que as novas disposições são “expressão do reconhecimento do fracasso da política dos Estados Unidos contra Cuba e que procura novas vias para conseguir seus objetivos históricos de dominação da ilha”.
Com a nota oficial divulgada neste domingo, o Governo da ilha responde ao anúncio que Washington fez no dia 14 de janeiro sobre medidas para suavizar as restrições às viagens e envio de remessas de seus cidadãos a Cuba.
Em essência, os EUA permitirão as visitas à ilha de estudantes e professores, por motivos acadêmicos, e de grupos religiosos, assim como os envios de remessas, de até US$ 500 trimestrais, a cubanos que não sejam familiares.
O Governo cubano entende que a Casa Branca se limita, no fundamental, a “restabelecer” disposições que estiveram em vigor sob o mandato do democrata Bill Clinton e que foram eliminadas pelo republicano George W. Bush a partir de 2003.
Interpreta que o anúncio de sexta-feira passada é resultado do “esforço de amplos setores da sociedade americana que durante anos reivindicaram majoritariamente o levantamento do genocida bloqueio contra Cuba e a eliminação da absurda proibição de viagens ao país”.
Em sua declaração oficial, o Ministério das Relações Exteriores cubano defende que a ilha “sempre favoreceu as trocas com o povo americano, suas universidades, suas instituições acadêmicas, científicas e religiosas”.
“Todos os obstáculos que entorpecem as visitas dos americanos a Cuba sempre estiveram, e continuam estando hoje, do lado do Governo dos Estados Unidos”, acrescenta.
O Governo de Cuba destaca que “se existisse um interesse real em ampliar e facilitar os contatos entre ambos os povos, “os Estados Unidos deveriam levantar o bloqueio e eliminar a proibição que faz de Cuba o único país para o qual os norte-americanos não podem viajar”.