O chefe do Escritório de Interesses de Cuba em Washington, Dagoberto Rodríguez, negou hoje, em entrevista coletiva, as acusações recentes dos EUA de que Havana teria obstruído a entrada de materiais e funcionários consulares na ilha para a emissão dos vistos.
“Negamos categoricamente essa acusação. O Escritório de Interesses dos EUA (em Havana) e o Departamento de Estado sabem que Cuba concedeu, dentro dos termos estabelecidos, todos os vistos aos diplomatas (dos EUA) encarregados de aplicar os acordos migratórios”, ressaltou Rodríguez.
As acusações americanas foram repetidas na segunda-feira pelo Departamento de Estado, para o qual o Governo cubano está colocando obstáculos ao trabalho de seu escritório em Havana.
As declarações de Rodríguez foram feitas antes do fim do prazo para que o Governo de Washington autorize os 20 mil vistos que deve conceder a cubanos, até setembro. O compromisso se insere no acordo migratório assinado no dia 9 de setembro de 1994.
No dia 17 de julho, a Escritório de Interesses dos EUA em Havana anunciou que, neste ano, não cumpriria a cota mínima dos vistos a cidadãos cubanos. O aviso foi repetido pelo Departamento de Estado no dia seguinte.
Segundo Rodríguez, este ano Washington só concedeu 10.724 vistos a cubanos que desejam emigrar para os EUA, dos 20 mil que deve conceder a todos que cumpram os requisitos.
Acrescentou que é “absolutamente falso” que as autoridades americanas em Havana não tenham material suficiente para cumprir o acordo.
“Essa missão diplomática importou 80,3 toneladas de materiais em 2006 e, segundo o Escritório de Supervisão do Governo, entre 50% e 70% disso não foi utilizado para as tarefas e para manutenção, mas para promover atividades subversivas contra nosso país”, assegurou Rodríguez.
Sem dar detalhes, reiterou a acusação do Governo cubano de que os EUA aproveitaram o privilégio da mala diplomática que não podem ser revistadas para enviar ajuda a “grupos subversivos”, em clara violação à Convenção de Viena sobre relações consulares.
Rodríguez também responsabilizou Washington pelo fluxo ilegal de imigrantes cubanos aos EUA. Eles estariam usando cada vez mais o México como rota de passagem.
Além disso, acusou os EUA de não deportarem os imigrantes cubanos interceptados no mar, como determinam os acordos migratórios de 1994 e 1995.
Esta acusação foi incluída em uma nota diplomática enviada recentemente ao Departamento de Estado dos EUA, afirmou Rodríguez.
Ele reiterou a exigência de seu Governo de que os EUA cessem a política atual conhecida como “pé seco, pé molhado”, que concede residência permanente a todo cubano que consiga pisar em solo americano.
A política americana encoraja a imigração ilegal de cubanos, e a Casa Branca a mantém vigente porque quer “usar este tema com fins políticos”, argumentou Rodríguez. Ele afirmou, ainda, que as autoridades americanas deportam qualquer outro imigrante ilegal, menos os cubanos.
Rodríguez insistiu que o Governo da ilha está “fazendo o máximo” para desencorajar a emigração ilegal para os EUA. “Nós acreditamos em uma emigração legal, segura e organizada”, enfatizou.
Na segunda-feira, Tom Casey, um porta-voz do Departamento de Estado, falou sobre a situação na ilha. “A principal causa de instabilidade e de miséria em Cuba é o Governo cubano”, alegou. “Quanto a nossos programas de vistos, já dissemos antes que houve nos últimos meses inúmeras instâncias nas quais o Governo cubano bloqueou ou impediu o acesso de equipamentos, provisões, e pessoal necessário” para as tarefas consulares na ilha, disse.
“Se eles querem nos ajudar a assegurar o cumprimento das cotas estabelecidas pelo acordo, uma das coisas que podem fazer é parar de interferir no trabalho da Escritório de Interesses” dos EUA, acrescentou.