SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (27) que Cuba é o próximo alvo das Forças Armadas do país. Discursando em uma conferência de investimentos saudita em Miami, Trump afirmou que as investidas contra a Venezuela, em janeiro, e o Irã foram um sucesso.
“Cuba é a próxima”, afirmou na Future Investment Initiative. Depois, brincou dizendo para repórteres “ignorarem o comentário” e voltou a repetir: “Cuba é a próxima”.
O republicano passou boa parte de sua fala elogiando a guerra empreendida pelo país ao lado de Israel contra o Irã. O conflito completa um mês neste sábado (28) e já acumula milhares de mortos e impacto significativo no Oriente Médio -e também na economia global, com o aumento dos preços do petróleo causado pelo fechamento do estreito de Hormuz.
“Eles estão negociando”, disse Trump à plateia. Ele também fez piadas sobre a liderança iraniana, dizendo que o Irã é o “único país que ninguém quer governar” porque estariam todos com medo de ser mortos pelos EUA.
O bombardeio americano e israelense matou o líder supremo, Ali Khamenei, no primeiro dia da guerra. Desde então, outras figuras-chave do regime foram assassinadas, como Ali Larijani, considerado o homem-forte da teocracia. O paradeiro do sucessor de Khamenei, Mojtaba, é desconhecido.
Ele também afirmou que não precisa “apoiar a Otan”, já que a aliança militar não se envolveu na guerra contra o Irã.
Cuba está na mira de Trump desde o início de seu segundo mandato, mas a tensão se intensificou após a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro. Em 16 de março deste ano, o presidente afirmou a jornalistas que “acredita que terá a honra de tomar Cuba” e que pode “fazer o que quiser” com a ilha.
“Ouvi minha vida toda sobre os Estados Unidos e Cuba. ‘Quando é que os EUA vão fazer isso?’. Eu realmente acredito que terei a honra de tomar Cuba”, disse Trump no Salão Oval da Casa Branca.
Washington mantém sanções draconianas contra a ilha, que resultaram em uma crise energética severa.
Cuba está bloqueada de receber petróleo e dependia de fluxo que vinha da Venezuela sob Nicolás Maduro, que ignorava a sanção.
No domingo (22), o vice-ministro das Relações Exteriores cubano, Carlos Fernández de Cossio, afirmou que o país se prepara para uma possível agressão militar dos Estados Unidos, mas disse que está disposto a negociar com Washington.
“Nosso Exército sempre está preparado. E, de fato, nestes dias se prepara para a possibilidade de uma agressão militar”, declarou Fernández de Cossio em entrevista à NBC. “Esperamos de verdade que isso não aconteça.”