Cuba denunciou nesta quarta-feira (21) uma campanha de pressões “inéditas” de Washington sobre outros países para que retirem seu apoio a uma resolução cubana contra o embargo e o bloqueio petrolífero americano, que será submetida a votação na próxima semana na Assembleia Geral da ONU.
Durante uma coletiva de imprensa em Havana, o chanceler cubano Bruno Rodríguez exibiu um documento que, segundo ele, os Estados Unidos distribuíram às suas embaixadas para pressionar governos que tradicionalmente apoiam a resolução cubana, de caráter não vinculante, submetida a votação na ONU todos os anos desde 1992.
Segundo Rodríguez, as pressões incluem ameaças de imposição de tarifas, restrições de vistos a autoridades estrangeiras e seus familiares, além da retirada de apoio a governos ou do respaldo a forças de oposição nesses países.
“É um conjunto de métodos de verdadeira violência política, coerção e chantagem”, afirmou.
O chanceler denunciou que o Departamento de Estado americano chegou “ao cúmulo do ridículo” ao pedir a alguns países que se abstenham de votar ou deixem a sala durante a sessão prevista para 28 de outubro.
Rodríguez também mencionou que um país latino-americano, “sob pressão do governo dos Estados Unidos”, tenta influenciar outros Estados para que não apoiem Cuba. Questionado pela AFP sobre qual seria esse país, o chanceler se recusou a identificá-lo.
Este é o segundo ano consecutivo em que o governo do presidente Donald Trump realiza uma campanha para influenciar a votação da resolução da ONU, que costuma receber amplo apoio internacional.
Em 2025, a resolução recebeu 165 votos a favor, sete contra e 12 abstenções, seu menor apoio em pelo menos uma década. Embora Havana tenha mantido uma ampla maioria, autoridades cubanas atribuíram a redução do apoio à campanha diplomática de Washington.
A resolução, que pede o fim do embargo imposto por Washington desde 1962, inclui desta vez uma referência às restrições ao fornecimento de combustível à ilha aplicadas pelos Estados Unidos desde janeiro.
Em outra tentativa de reduzir o apoio à resolução, os Estados Unidos organizaram na segunda-feira, na ONU, um painel com dissidentes e ex-presos políticos cubanos exilados, que denunciaram violações dos direitos humanos na ilha.
Rodríguez questionou a legitimidade dos participantes do evento e o classificou como “vergonhoso”.
AFP