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Cruz Vermelha define situação no Haiti como <i>catastrófica</i>

Arquivo Geral

18/01/2010 0h00

A situação no Haiti é “catastrófica”, a população está cada vez mais agressiva pela falta de água e comida e os corpos começaram a ser incinerados em valas improvisadas nas ruas de Porto Príncipe, disse hoje o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Em uma macabra descrição da situação a seis dias do terremoto que devastou a capital haitiana, a organização humanitária afirmou que a “indiferença está aparecendo”, “as pessoas começaram a tirar os corpos de frente das portas” e testemunhas denunciam a cremação improvisada de corpos na mesma cidade.

Além disso, “a busca de corpos parece ter terminado”, enquanto as pessoas buscam entre os escombros qualquer coisa que possa ser útil.

Em um relatório atualizado, o CICV ressaltou que a situação sanitária nos improvisados acampamentos de desabrigados continua se deteriorando, o que aumenta o risco de surto de doenças.

A organização está abastecendo água para 7,5 mil pessoas em três acampamentos e instalou banheiros públicos para mil pessoas.

“A água não é só uma questão para saciar a sede. Lavar-se permite manter a higiene e devolver a dignidade às pessoas que perderam tudo”, explicou o coordenador dessas ações, Guy Mouron.

Os preços dos alimentos e do transporte estão muito mais caros (o pão custa o dobro que há seis dias) e os incidentes violentos, como saques, aumentam o ritmo do desespero das pessoas.

Houve inclusive quem alertasse a gritos sobre a chegada de um tsunami para aterrorizar os outros e poder roubar o que deixam durante a fuga.

A CICV indicou que todos os que dispõem de meios econômicos estão escapando e que a fronteira com a República Dominicana está repleta de pessoas procurando sair do Haiti.

Perto do aeroporto, pessoas com dupla nacionalidade haitiana e americana estão fazendo fila em frente à Embaixada dos EUA para poder sair do país.

A organização, habituada a lidar com situações extremas, indicou que, dada a magnitude do desastre, não pode fornecer números exatos sobre o número de mortos e feridos pelo terremoto.

Por outro lado, o CICV afirmou que está trabalhando com a Cruz Vermelha haitiana para instalar em seus escritórios um posto de contato para pessoas que buscam seus familiares desaparecidos, enquanto os sobreviventes podem se registrar como “sãos e salvos”.

Cerca de 22 mil pessoas se registraram até agora no site www.icrc.org/familylinks para encontrar os parentes.

Já a Federação Internacional da Cruz Vermelha, que reúne mais de 180 sociedades nacionais, indicou que enviou mais de 400 colaboradores para participar das tarefas de ajuda à população afetada.

A entidade espera mobilizar no total 500 toneladas de ajuda, entre a já enviada e a que ainda enviará nos próximos dias.

A Federação lançou um pedido de financiamento de emergência de 73 milhões de euros para ajudar 300 mil pessoas durante três anos. O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 de Brasília da terça-feira passada e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. O Governo do país caribenho confirmou que pelo menos 70 mil corpos já foram enterrados.

Na quarta-feira passada, o primeiro-ministro do país, Jean Max Bellerive, tinha falado em “centenas de milhares” de mortos.

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 16 militares do país que participavam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

A médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e o brasileiro Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti, também morreram no tremor.

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