Sérvios e albano-kosovares encerraram hoje, more about em Viena, sem obter um acordo, as negociações sobre o futuro status da província do Kosovo, no sul da Sérvia, habitada por uma maioria de albaneses independentistas.
Abaixo, a cronologia do conflito em torno desse território, considerado pela Sérvia o “berço” de sua nação e reclamado pelos albano-kosovares como um Estado independente:
1981: manifestações albano-kosovares para exigir a criação de uma República do Kosovo no marco da federação iugoslava. A Polícia e o Exército reprimem os protestos com violência.
1989: o presidente sérvio, Slobodan Milosevic, suprime a autonomia do Kosovo, estipulada na Constituição de 1974.
1990: os albano-kosovares do Parlamento do Kosovo autoproclamam sua independência como uma das unidades federadas da Iugoslávia.
– 5 de julho: Belgrado dissolve todos os órgãos do poder e a administração no Kosovo. A Polícia dispersa os sucessivos protestos dos albano-kosovares, que iniciam uma “resistência pacífica”, liderada pelo escritor Ibrahim Rugova.
1991: os albano-kosovares organizam um plebiscito clandestino no qual se apóia a “independência e soberania” do Kosovo.
1992: os albano-kosovares realizam eleições presidenciais e parlamentares, consideradas ilegais pela Sérvia, vencidas por Rugova e sua Liga Democrática do Kosovo (LDK).
1996: surge a guerrilha albano-kosovar do “Exército de Libertação do Kosovo” (UCK).
1998: choques entre o UCK e as forças sérvias, com 80 mortos, marcam o início da guerra do Kosovo.
1999:
– 24 de março: a Otan inicia seus bombardeios contra a Iugoslávia, que duram 78 dias.
– junho: o Exército sérvio aceita se retirar do Kosovo.
– 10/12 de junho: a ONU aprova a resolução 1.244 que recolhe o acordo de paz para o Kosovo. Começa a retirada sérvia, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) suspende os bombardeios e inicia seu desdobramento a Força para o Kosovo (KFOR).
– junho e julho: os albaneses que tinham se refugiado na Albânia e Macedônia voltam ao Kosovo, e os servo-kosovares fogem. Mais de 200 mil kosovares não albaneses abandonam a província.
2001:
– 17 de novembro: primeiras eleições parlamentares no Kosovo, que resultam em uma vitória relativa da LDK, de Rugova.
2003:
– 14 de outubro: após pressões internacionais, sérvios e kosovares se reúnem em Viena pela primeira vez desde a guerra.
2004:
– março: uma onda de violência de extremistas albano-kosovares contra a minoria sérvia deixa 19 mortos e cerca de 900 feridos.
– 3 de dezembro: o Parlamento kosovar elege o ex-comandante do UCK Ramush Haradinaj como primeiro-ministro.
2005:
– outubro: a ONU autoriza o início das negociações entre Belgrado e Pristina sobre o estatuto definitivo do Kosovo e encarrega a mediação ao ex-presidente finlandês Martti Ahtisaari.
2006:
– 21 de janeiro: Ibrahim Rugova morre de câncer. Semanas depois o Parlamento elege Fatmir Sejdiu como o novo presidente.
– 20 de fevereiro: delegações da Sérvia e do Kosovo iniciam em Viena as negociações sobre a descentralização da província.
– 10 de março: o ex-guerrilheiro Agim Ceku é eleito o novo primeiro-ministro kosovar, após a renúncia de Kosumi.
– 10 de novembro: Ahtisaari decide adiar a apresentação de sua proposta para depois das eleições parlamentares na Sérvia.
2007:
– 26 de janeiro: Ahtisaari apresenta pela primeira vez em Viena sua proposta, que inclui uma “soberania limitada” para o Kosovo.
– 26 de março: Ahtisaari entrega seu relatório ao Conselho de Segurança recomendando a independência, sob supervisão internacional, como “única opção viável” para o Kosovo.
– 20 de julho: o Conselho de Segurança da ONU termina suas consultas sobre o Kosovo sem alcançar um acordo devido à oposição Rússia, e o processo de definição do futuro da província sérvia se transfere ao Grupo de Contato.
– 25 de julho: os seis países-membros do chamado Grupo de Contato para o Kosovo lançam um novo processo negociador com um prazo até 10 de dezembro, data na qual União Européia, Estados Unidos e Rússia deverão apresentar um relatório sobre a questão no Conselho de Segurança da ONU.
– 30 de julho: as posturas irreconciliáveis entre Pristina e Belgrado se confirmam na primeira reunião de parte do Grupo de Contato para o Kosovo – integrada por representantes da União Européia, Estados Unidos e Rússia -, com altos representantes de ambas as partes.
– 17 de novembro: O ex-líder guerrilheiro, Hashem Thaçi, do Partido Democrático do Kosovo (KDP), triunfa nas eleições legislativas do Kosovo.
– 28 de novembro: os albanokosovares consideram fracassadas de forma definitiva as negociações e anunciam que podem proclamar de unilateralmente a independência do Kosovo a partir de 10 de dezembro, quando termina o prazo da negociação mediada por União Européia, Estados Unidos e Rússia.