A oposição iraniana aproveitou ontem o sermão oficial de Teerã para expressar mais uma vez seu protesto contra os resultados das eleições presidenciais de 12 de junho, clinic nas quais o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi reeleito, diagnosis em meio a grandes suspeitas de fraude.
O sermão, considerado pelos observadores como o termômetro para medir a temperatura política e social do Irã, teve a presença de dois dos três candidatos reformistas derrotados – o ex-primeiro-ministro Mir Hussein Moussavi e Mehdi Karroubi – e ficou a cargo do aiatolá Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, que destacou a necessidade de que o povo iraniano recupere a confiança perdida após as eleições e pediu às autoridades para libertar os detidos durante os distúrbios ocorridos após o pleito.
Na Universidade de Teerã, diante de milhares de pessoas, Rafsanjani – considerado o principal aliado de Moussavi – apresentou uma série de sugestões para acabar com a situação atual no Irã, que qualificou de crise. “A desconfiança gerada nas eleições está desgastando o povo”, disse. “Um grupo não tem dúvidas de que ganhou e está no poder, mas há outro grupo, que não é pequeno em seu número, que tem dúvidas”, ressaltou Rafsanjani, para quem sem o apoio do povo a república islâmica “não continuará de pé”.
O aiatolá disse ainda que “tudo neste povo depende do voto do povo”, e pediu a libertação dos detidos e indenizações para as vítimas dos distúrbios que abalaram o país após as eleições, que deixaram pelo menos 20 mortos, centenas de feridos e mais de mil detidos.
Legalidade
O ex-presidente iraniano também fez um apelo para que todos agissem dentro da lei. “Peço a todas as entidades, às forças de segurança, à polícia, ao governo e aos insatisfeitos a agir dentro da lei, de tal forma que a confiança volte ao povo”, disse Rafsanjani, pedindo mais liberdade para expressar opiniões.
As declarações de Rafsanjani foram muitas vezes interrompidas pelo grito de apoio ou contra dos presentes no sermão, cuja participação foi qualificada de “sem precedentes” pela agência de notícias Ilna. Rafsanjani insistiu em que, hoje em dia, o país precisa mais do que nunca de unidade perante “tantos perigos dos que querem chantagear e tirar de nossas mãos todas as conquistas tecnológicas que o Irã conseguiu”.
Com bandeiras verdes, a cor do Islã e também o símbolo da candidatura de Moussavi, seus simpatizantes gritaram continuamente “Deus é grande” – as mesmas palavras de ordem ouvidas todas as noites nos telhados como forma de protesto contra o resultado das eleições. Ao final do sermão, eles tentaram fazer uma manifestação pacífica, mas foram reprimidos pelos policiais que acompanhavam de perto toda a movimentação.