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Crise, gripe, eleições e narcotráfico marcam 2009 no México

Arquivo Geral

16/12/2009 0h00

A exata metade do mandato do presidente mexicano, Felipe Calderón, foi abalada em 2009 pela crescente onda de violência do crime organizado, que causou sete mil mortes, por uma recessão econômica próxima a 7% e por sua perda da maioria nas eleições legislativas de julho.


Calderón, que concluirá seu mandato em 2012, viu, além disso, como a pandemia da gripe A feriu gravemente o setor turístico e originou uma queda no Produto Interno Bruto (PIB) de mais de meio ponto, além de ter provocado centenas de mortes.


Entre abril e junho, nos primeiros meses da pandemia, o turismo, segunda atividade econômica mais importante do México, depois do petróleo, caiu 45%, segundo um estudo realizado na época pelo BBVA.


As evidências da queda econômica obrigaram o Banco do México a adequar suas primeiras estimativas, que calculavam uma recessão de 3%, às de outros organismos, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), e a reconhecer que a queda seria de cerca de 7%, a maior dos países da região.


À recessão, uniu-se uma queda de 24% na receita proveniente do petróleo, um corte de 30% das exportações e um índice de desemprego que superou os 6% da população economicamente ativa.


No entanto, a melhora econômica nos Estados Unidos, para onde o México destina 80% de suas exportações, permitiu que a economia registrasse no terceiro trimestre do ano uma alta de 2,9% e uma previsão de alta do PIB de entre 2,5% e 3% para o ano que vem, segundo o banco emissor.


Junto ao baque econômico, 2009 foi para o México um ano sangrento, devido à ação do crime organizado que deixou cerca de sete mil mortos em todo o país em consequência da guerra para controlar as rotas da droga para os EUA.


Os membros do Cartel de Sinaloa, de Tijuana, de Juárez, do Golfo e La Família Michoacana colocaram em xeque os mais de 40 mil soldados e 20 mil policiais desdobrados pelas ruas de muitos estados mexicanos.


Segundo informações jornalísticas, desde a chegada de Calderón ao poder, em 2006, os assassinatos ligados ao crime organizado superaram os 15 mil, apesar de o líder afirmar que o índice de crimes para cada 100 mil habitantes no México seja inferior ao de Colômbia, Venezuela, El Salvador e Guatemala.


Para justificar a presença do Exército, as autoridades mexicanas afirmam que muitos dos 400 mil policiais estaduais e municipais se infiltraram no narcotráfico.


Mas a corrupção chegou também a outros níveis e a organização Transparência Internacional deu ao México a pior qualificação sobre a percepção da corrupção no setor público desde 2001, com uma nota de 3,3 pontos sobre um ideal de 10.


Na metade do ano, Calderón e sua legenda, o Partido da Ação Nacional (PAN), sofreram um forte revés político ao perder a maioria na Câmara dos Deputados nas eleições legislativas que deram a vitória ao Partido Revolucionário Institucional (PRI), na oposição desde 2000.


Todos os analistas concordam que a vitória do PRI dificultará os três anos de Governo que restam para Calderón, que poderá ter quaisquer de suas propostas modificadas, como ocorreu no fim deste ano com a lei de ingressos e egressos do Estado.


Na tramitação da lei, o Governo de Calderón teve de aceitar os desejos do PRI de limitar a alta dos impostos inicialmente proposta, que terminou em um aumento de um ponto do IVA e de dois no imposto de renda.


A aprovação destas medidas gerou enfrentamentos entre Calderón e empresários, aos quais o líder criticou por pagar poucos impostos, cifrados em apenas 1,7% de sua renda total.


Precisamente, a limitada flexibilidade fiscal do país, junto a sua alta dependência da receita proveniente do petróleo, levou também a agência Fitch Ratings a reduzir a qualificação da dívida soberana em moeda estrangeira do México.


Três anos antes de deixar o poder, Calderón fez um balanço otimista da metade de seu mandato e, em entrevista à Agência Efe, ressaltou as conquistas de seu Governo em 2009. Entre elas, destacou a superação da crise econômica, da epidemia de gripe e da pior seca sofrida pelo país nos últimos anos, além de ter enfrentado os cartéis da droga.


 


 

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