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Mundo

Crise faz Rússia reorganizar modelo de desenvolvimento em 2009

Arquivo Geral

15/12/2009 0h00

A crise financeira forçou o Kremlin a questionar o modelo de desenvolvimento que durante os últimos anos impulsionou o agora primeiro-ministro Vladimir Putin, que continua sendo considerado o homem forte da Rússia.


Os resultados deste ano, com uma previsão de queda do Produto Interno Bruto (PIB) de até 8,5%, foram um duro despertar do sonho do milagre econômico russo baseado na capacidade de exportação de hidrocarbonetos.


“Não conseguimos abandonar a estrutura primitiva de nossa economia e a humilhante dependência das matérias-primas”, disse o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, no dia 12 de novembro, ao apresentar seu relatório sobre o estado da nação.


Em uma das mais sinceras autocríticas pronunciadas no Kremlin em vários anos, Medvedev ressaltou que “o costume de viver à custa das exportações freia o desenvolvimento inovador do país”.


Segundo o governante, a economia russa “foi mais afetada que outras pela crise financeira global”, e continua sendo “vergonhosamente pouco competitiva”.


“O prestígio da pátria e o bem-estar nacional não podem se basear indefinidamente nas conquistas do passado”, disse Medvedev.


A crise global evidenciou a fragilidade da economia russa e a falta de consistência dos planos elaborados por Putin em 2003 para dobrar o PIB em dez anos.


Já viraram parte da história as elevadas taxas de crescimento, geradas pelos altos preços dos hidrocarbonetos nos mercados internacionais, que deviam colocar a Rússia entre os países mais desenvolvidos do mundo.


Medvedev, com o respaldo de seu primeiro-ministro, defende agora a modernização urgente da economia do país, que em sua opinião deve ser baseada no desenvolvimento de novas tecnologias, que permitam à Rússia libertar-se de sua extrema dependência das exportações de hidrocarbonetos e outras matérias-primas.


No plano de desenvolvimento de Medvedev não se encaixam as corporações estatais gigantes concebidas por seu antecessor no Kremlin como grandes motores para impulsionar a economia nacional, como o deixou claro em sua mensagem ao Parlamento, na qual afirmou que seria preciso estudar a possibilidade inclusive de privatizá-las.


Segundo várias ONGs, um dos principais empecilhos para os planos de modernizar a Rússia é a corrupção, o que é admitido pelas autoridades do país.


A ONG Transparência Internacional (TI) colocou a Rússia na posição 146 em corrupção em uma lista de 180 países, na qual se situa junto com Serra Leoa.


“Se a corrupção seguir da mesma maneira, continuará devorando os recursos que poderíamos investir em nosso futuro”, declarou o chefe de estratégia do banco Uralsib, Chris Weafer, citado pelo jornal “The Moscow News”.


Segundo um estudo realizado recentemente pela empresa de consultoria Pricewaterhousecoopers (Pwc), a Rússia ocupa o primeiro lugar no mundo por crimes financeiros.


Dos entrevistados pela Pwc, 71% afirmaram ter sido vítimas de algum tipo de fraude ou delito econômico nos últimos 12 meses.


Segundo analistas, estes dados mostram que investir na Rússia continua sendo um risco.


De acordo com números do Serviço Estatal de Estatísticas, nos primeiros três trimestres do ano os investimentos estrangeiros caíram 28% em comparação com o mesmo período de 2008, totalizando US$ 50 bilhões.


A queda dos investimentos direta foi até maior, quase pela metade, e somaram apenas US$ 10 bilhões.


O Governo declarou que a economia russa já passou por seu pior momento e que em 2010 começará a recuperação, que segundo o titular de Finanças, Alexei Kudrin, não será rápida, pois as sequelas da crise ainda serão sentidas por pelo menos alguns anos.

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